no Graal
sob a chuva
uma frase afiada
atravessa o pescoço do que
eu ia dizer
numa hemorragia interna
sem futuro
meu sonho
vai morrendo
ao som de: no surprise (radiohead)
Espertos
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Sobre vagalumes, estradas e mais e mais...
guardo as emoções feito vagalumes
dentro de um vidrinho que carrego há anos
só os melhores
e nenhum deles morre
não posso tocá-los com as mãos
só com a memoria
esse vidrinho está em meu bolso
e quando a coisa aperta
eu o tiro
eu o olho
lágrimas e sorrisos espalham-se pelo ar
enchem e esvaziam minha vida
dor e delicia se misturam
e chego a sentir o gosto de algumas lembranças feito bolachas no leite
agora espero minha vó gritar lá de dentro que o jantar está na mesa
ainda ouço sua velha cadeira de balanço
e o arrastar de seus chinelos
e posso me ouvir pensando..."lá vem ela me chamar"
e ela com uma voz carregada de anos e sonhos mofados, faz uma força e diz "bessa, o jantar está na mesa, vem logo menino, se não esfria”
e só pra fazer com que ela grite de novo, pois nao existe som mais bonito, faço de conta que não ouvi e quando ela se demora...por fim...grito...”o que foi vó, hein?”
da metade do caminho, ela volta, cansada.
posso ouvi-la puxando novamente o ar dos fracos pulmões
“menino surdo,,,,o jantar tá na mesa”
ai eu rio enchendo minha alma de prazer
e corro pra ela e estalo um beijo em sua face flácida cheirando a pó comprado por R$ 1,99
e depois corro pra mesa
ela ri cansada
tenta colocar o que resta de alegria pra fora
seus olhos me dizem tanto
tanto que eu não aguento
e sonho inventar um aparelho que cristalize o tempo nesse exato momento
mas não é possivel
tenho que esquecer isso por alguns momentos para poder saborear a comida da minha mãe.
minha mãe está ficando parecida com minha vó e eu ficando parecido com meu pai e eu não sei mas quem é quem.
termino o jantar e ainda mastigando, corro pra rua.
preciso espanar as impossibilidades.
ainda minha vó: à noite posso ouvi-la se aconchegando em sua cama que também cheira a pó
são movimentos tão simples, silenciosos
ela sussura como um cachorrinho
dorme como um calmo rio
e eu me pergunto
e amanha?
e amanhã?
ouvirei seu cálido grito crescendo dentro da área e
chamando meu nome?
"menino, tá ficando surdo? o jantar tá na mesa"
e arrastando seus surrados chinelos pela sala?
as vezes tem que se segurar numa porta, nas paredes
e eu penso “ela matava galinhas com a força de dois homens”
e eu ainda estou tentando inventar essa merda de aparelho que cristalize o tempo
eu ainda estou tentando
e vou morrer tentando
pois toda a minha vida está dentro dos olhos da minha vó
tenho receio que esse vidro se quebre
está tudo lá dentro
tudo, tudo
e eu preciso dele
preciso mesmo
sou ele há muito tempo
quando desperto todos os dias é a primeira coisa que procuro
esse vidro
e todos os vagalumes estão lá
todos os dias eu os conto
todos os dias
todos os dias
todos os dias
todos
*qdo vc morrer vai morrer cristalizando
é, morrer cristalizando
é por ai
penso em vc e vejo uma longa estrada
e está anoitecendo
as casas ao longe começam a acender suas luzes
é um mergulho no escuro
nem sempre é facil voltar a superficie
não há nada na superficie
e quero sempre mergulhar mais fundo
quero procurar esses olhos lá no fundo, no fundo do que sou
no mais profundo dessa confusão brotada sem minha autorização
sem minha permissão
sem meu consentimento
sem meu aval, minha assinatura
mas preciso parar
pois vc entende tudo
até o que não quis dizer
até o que eu nem pensei em escrever
*the space between em sua homenagem agora!!!!!!!!!!!
*tô morrendo ouvindo esse som
*me vejo bem agasalhada, viajando por estradas de santa catarina cheias de fazendas com plaquinhas da perdigão
me vejo sozinho, a noite, em algum café de alguma estrada
depois me vejo saindo e deixando o ar frio entrar em meus pulmões
há alguém que lembro
mas sigo caminho contrário ao desse alguém
mas tá tudo certo...tudo foi resolvido
quase tudo
acho.
é tempo de delicadezas
de novas descobertas
de recomeços
estarei com quarenta e cinco
quando retomo a estrada já estou sorrindo
é o sorriso da sabedoria
a custa de muito esforço
olhos, sorrisos, flashs passam num segundo
agora o café e a xicara, com minhas digitais vao ficando cada vez mais longe
as cortinas dos sonhos sempre baixam quando uma música acaba
baixam não, despencam
assustada comigo?
*familiarizada
*vc falando de como é a sabedoria de conseguir deixar as coisas para trás
bela frase
dificil tarefa
gostaria de saber, e obviamente nunca vou saber, como vc realmente me ver e me pensa
talvez me veja como um grande oceano e tenha uma vontade enorme de mergulhar fundo na tentativa de descobrir os mistérios
talvez eu seja mesmo esse grande oceano,
mas meus mistérios mudam constantemente
de tempo e lugar
*parece que tem um balao dentro de vc
*vc pega fôlego e o enche
*e ele vai esvaziando ate a próxima parada
*e pelo jeito q vc fala , olhar para trás basta pra o encher novamente
vc escreve coisas que eu fico estupefato
*tô dando risada do ESTUPEFATO!
eu sei
imaginei
as palavras te põem pra dançar
escrevi de propósito
seu corpo é a única realidade que me interessa
será mesmo uma realidade?
se for, é uma terra maravilhosa
seu corpo é uma ilha
há acordes sob sua pele
vamos dormir?
boa noite
bjs
estupefato
estupetato
e o aparelho que penso em inventar, hein?
estou tentando...
tentando...
ainda...
sim, morrerei cristalizando
*P...
ao som de: the space between (dave matthews band)
dentro de um vidrinho que carrego há anos
só os melhores
e nenhum deles morre
não posso tocá-los com as mãos
só com a memoria
esse vidrinho está em meu bolso
e quando a coisa aperta
eu o tiro
eu o olho
lágrimas e sorrisos espalham-se pelo ar
enchem e esvaziam minha vida
dor e delicia se misturam
e chego a sentir o gosto de algumas lembranças feito bolachas no leite
agora espero minha vó gritar lá de dentro que o jantar está na mesa
ainda ouço sua velha cadeira de balanço
e o arrastar de seus chinelos
e posso me ouvir pensando..."lá vem ela me chamar"
e ela com uma voz carregada de anos e sonhos mofados, faz uma força e diz "bessa, o jantar está na mesa, vem logo menino, se não esfria”
e só pra fazer com que ela grite de novo, pois nao existe som mais bonito, faço de conta que não ouvi e quando ela se demora...por fim...grito...”o que foi vó, hein?”
da metade do caminho, ela volta, cansada.
posso ouvi-la puxando novamente o ar dos fracos pulmões
“menino surdo,,,,o jantar tá na mesa”
ai eu rio enchendo minha alma de prazer
e corro pra ela e estalo um beijo em sua face flácida cheirando a pó comprado por R$ 1,99
e depois corro pra mesa
ela ri cansada
tenta colocar o que resta de alegria pra fora
seus olhos me dizem tanto
tanto que eu não aguento
e sonho inventar um aparelho que cristalize o tempo nesse exato momento
mas não é possivel
tenho que esquecer isso por alguns momentos para poder saborear a comida da minha mãe.
minha mãe está ficando parecida com minha vó e eu ficando parecido com meu pai e eu não sei mas quem é quem.
termino o jantar e ainda mastigando, corro pra rua.
preciso espanar as impossibilidades.
ainda minha vó: à noite posso ouvi-la se aconchegando em sua cama que também cheira a pó
são movimentos tão simples, silenciosos
ela sussura como um cachorrinho
dorme como um calmo rio
e eu me pergunto
e amanha?
e amanhã?
ouvirei seu cálido grito crescendo dentro da área e
chamando meu nome?
"menino, tá ficando surdo? o jantar tá na mesa"
e arrastando seus surrados chinelos pela sala?
as vezes tem que se segurar numa porta, nas paredes
e eu penso “ela matava galinhas com a força de dois homens”
e eu ainda estou tentando inventar essa merda de aparelho que cristalize o tempo
eu ainda estou tentando
e vou morrer tentando
pois toda a minha vida está dentro dos olhos da minha vó
tenho receio que esse vidro se quebre
está tudo lá dentro
tudo, tudo
e eu preciso dele
preciso mesmo
sou ele há muito tempo
quando desperto todos os dias é a primeira coisa que procuro
esse vidro
e todos os vagalumes estão lá
todos os dias eu os conto
todos os dias
todos os dias
todos os dias
todos
*qdo vc morrer vai morrer cristalizando
é, morrer cristalizando
é por ai
penso em vc e vejo uma longa estrada
e está anoitecendo
as casas ao longe começam a acender suas luzes
é um mergulho no escuro
nem sempre é facil voltar a superficie
não há nada na superficie
e quero sempre mergulhar mais fundo
quero procurar esses olhos lá no fundo, no fundo do que sou
no mais profundo dessa confusão brotada sem minha autorização
sem minha permissão
sem meu consentimento
sem meu aval, minha assinatura
mas preciso parar
pois vc entende tudo
até o que não quis dizer
até o que eu nem pensei em escrever
*the space between em sua homenagem agora!!!!!!!!!!!
*tô morrendo ouvindo esse som
*me vejo bem agasalhada, viajando por estradas de santa catarina cheias de fazendas com plaquinhas da perdigão
me vejo sozinho, a noite, em algum café de alguma estrada
depois me vejo saindo e deixando o ar frio entrar em meus pulmões
há alguém que lembro
mas sigo caminho contrário ao desse alguém
mas tá tudo certo...tudo foi resolvido
quase tudo
acho.
é tempo de delicadezas
de novas descobertas
de recomeços
estarei com quarenta e cinco
quando retomo a estrada já estou sorrindo
é o sorriso da sabedoria
a custa de muito esforço
olhos, sorrisos, flashs passam num segundo
agora o café e a xicara, com minhas digitais vao ficando cada vez mais longe
as cortinas dos sonhos sempre baixam quando uma música acaba
baixam não, despencam
assustada comigo?
*familiarizada
*vc falando de como é a sabedoria de conseguir deixar as coisas para trás
bela frase
dificil tarefa
gostaria de saber, e obviamente nunca vou saber, como vc realmente me ver e me pensa
talvez me veja como um grande oceano e tenha uma vontade enorme de mergulhar fundo na tentativa de descobrir os mistérios
talvez eu seja mesmo esse grande oceano,
mas meus mistérios mudam constantemente
de tempo e lugar
*parece que tem um balao dentro de vc
*vc pega fôlego e o enche
*e ele vai esvaziando ate a próxima parada
*e pelo jeito q vc fala , olhar para trás basta pra o encher novamente
vc escreve coisas que eu fico estupefato
*tô dando risada do ESTUPEFATO!
eu sei
imaginei
as palavras te põem pra dançar
escrevi de propósito
seu corpo é a única realidade que me interessa
será mesmo uma realidade?
se for, é uma terra maravilhosa
seu corpo é uma ilha
há acordes sob sua pele
vamos dormir?
boa noite
bjs
estupefato
estupetato
e o aparelho que penso em inventar, hein?
estou tentando...
tentando...
ainda...
sim, morrerei cristalizando
*P...
ao som de: the space between (dave matthews band)
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Eu vinha de algum lugar...
ouço o seu nome
num melancólico solo de sax
dentro de uma noite quente
leio seus olhos nas entrelinhas
de um romance de Philip Roth.
ao som de: La trama y el desenlace (Jorge Drexler)
num melancólico solo de sax
dentro de uma noite quente
leio seus olhos nas entrelinhas
de um romance de Philip Roth.
não me ouço
não me leio mais
ao som de: La trama y el desenlace (Jorge Drexler)
ah! essas guerras internas.
Minha religiosidade está abandonada
como uma árvore sozinha
numa estrada escura.
como uma árvore sozinha
numa estrada escura.
Adeus! Henderson. Gru-tan-molani!!!!
Terminei Henderson, o rei da chuva (Samuel Bellow) na estrada. Este foi o livro em que mais me demorei. Não queria terminá-lo. Sabia que se o terminasse, me sentiria como um órfão. Mas percebi que até mesmo os órfãos precisam aceitar que existem outras dores no mundo. Quando terminei a última linha, meu corpo ainda vibrava como as cordas de um piano que acabara de receber a última estocada de um acorde menor.
No tempo quando o tempo for
não anseio o verão
quando estou sob a chuva e
muito menos clamo pela primavera
quando as folhas já não mais
me acenam.
quero estar no tempo quando o tempo for.
não somente diante das coisas
quando estas me piscarem os olhos,
mas sim, dentro destes.
quando estou sob a chuva e
muito menos clamo pela primavera
quando as folhas já não mais
me acenam.
quero estar no tempo quando o tempo for.
não somente diante das coisas
quando estas me piscarem os olhos,
mas sim, dentro destes.
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