Espertos

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pai

pai
palavra doendo
no sapato
novo do
passado

Mormaço

gostaria que lembrasse o que meus olhos tentaram te dizer
que escutasse as orações que fiz em silencio, ao seu ouvido, quando dormia.
gostaria que guardasse o que pensei enquanto você estava fora
que lembrasse o que minhas mãos sussurraram quando se esconderam em seus cabelos
gostaria que lembrasse da trepidação dos meus lábios, quando enfim! você me deu aquele beijo que há muito ansiava
e que veio de supetão, quase roubado
nesse momento você sugou minha alma
ela está sob sua língua
encolhida e trêmula
se alimentando de sua saliva
sei que você está lendo tudo isso
bebendo cada sílaba
fuçando cada palavra
tocando cada frase
posso te ver mordiscando seu lábio inferior
posso te ver tropeçando nas letras e caindo nas entrelinhas no afã de encontrar um lugar em que possa ver minha imagem refletida
posso ver seus olhos ruminando cada frase
não sei de onde tiro tudo isso
vem mais ou menos como o vento batendo na janela
sem licenças e sem desculpas
sinto por você o que o amor ainda desconhece
quando penso em você lembro-me de Veneza
quando olhava IL Grand Canale
enquanto tomava meus sprits
acho que já pensava em você
pensava que do outro lado das minhas lembranças

ainda doendo, ia ter alguém assim.
como me ensinou, quando me canso, deixo essas coisas virem que nem um mormaço
me deixe morar em seu corpo,
em seu casaco. Isso é como deslizar entre as nuvens
escrevo rapidamente como se subisse uma escada em sua direção
não se escore em minha poesia, mas sim
em meu ombro e me olhe sem dizer nada
quero ver minha vida em seus olhos
essas frases saem cortando tudo
é como tentar tirar alguém maior do que eu dentro de mim
ela salta sobre as frases como no jogo da amarelinha
o que você vê nos espaços vazios do seu quarto?
o que você desenharia ou escreveria entre um móvel e outro?
olho ao meu redor, como se procurasse algo e respondo de pronto:
desenharia minha infância
o que você acha que eu desenharia? Ela pergunta
acho que desenharia um mundo pra habitar
desenharia uma porta daquela em cada espaço vazio do seu quarto
é o que eu acho.
ela diz que desenharia talvez o cheiro
que sente dos lugares, músicas saindo dos travesseiros, mas que
trocaria as cores das coisas
genial!
por isso quero beber todas as suas lágrimas
arquivarei todos os seus sorrisos
sua ausência é um corte profundo
provocado pelos movimentos das lâminas afiadas
dos ponteiros do relógio.

domingo, 17 de outubro de 2010

Terças Poéticas - Poeta homenageado - Roberto Piva

Palácio das Artes

Ademir Assunção
& Reynaldo Bessa
 
30 de Novembro - Belo Horizonte - MG

18h30

Circuito de Interações Poéticas / FUNARTE

Poesia Ligada na Tomada

Sinopse: Poesia eletrificada em leituras/performances

Marcelino Freire,
Chacal,
Marcelo Montenegro
Reynaldo Bessa
Ademir Assunção

10 de novembro (20h30): Recife
27 de novembro (20h30): Belo Horizonte

20h30