Espertos

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

o relógio
não marca o tempo,
masca as horas.
o tempo não tem tempo, ora.
é agora.

 (Reynaldo Bessa)
cansaço, talvez,
por um momento me pareceu
que a realidade se abria e dela surgia outra realidade
como se algo tivesse feito um corte na pele disso que achamos que vemos
e logo outra realidade tentasse se esgueirar pela fenda.
olhei para o horizonte e por alguns minutos achei que seria tomado, invadido, banhado por essa coisa sem nome.
quando a sensação se foi
me senti como um personagem de um sonho de alguém
que dorme eternamente
para que eu não desperte.

(Reynaldo Bessa)
Gosto das mulheres, mas gosto ainda mais dos seus movimentos. Por exemplo. Fico sem ação, feito um macho que recebe uma boa dose de veneno, quando uma beldade, em poucos movimentos, prende o cabelo. Penso que foi assim que Deus criou o mundo e a confusão...
Movimentos são diferentes, assim como o sinal verde é pra passar e o vermelho... Bom, o semáforo já é clichê, mas os movimentos de uma beldade nunca os são.
Uma mulher se vestindo ou se despindo: são como palavras diferentes numa mesma sentença. Um veredicto: a cadeira elétrica ou o vento da liberdade lânguida na cara. Quando ela caminha dá pra perceber se corre para o filho que a espera ou para o amante que se desespera. Quando uma mulher olha pra você e os olhos se agitam, se inquietam, se perdem, fogem e depois voltam como um devoto pedindo perdão ao seu santo predileto ou entregando suas curvas tortuosas a Sade é porque, se tudo der certo, haverá muito movimento... não aguento isso... tudo é movimento.. e em se tratando de mulher, tudo é um quase terremoto. Até parada a mulher faz o mundo rodopiar... e eu... Eu? Eu olho... e por enquanto, basta.

(Reynaldo Bessa)