Os poemas de "Outros Barulhos" denunciam um pai, uma mãe, uma infância, uma adolescência superficiais. Mas, mesmo nessa vidinha besta, há alumbramentos, sustos luminosos. Há beleza na banalidade. E é o movimento dialético - a verdade no falso - que faz desse eu lírico ruidoso uma instância chamada "mal-estar" (Nelson de Olivieira - Escritor e Mestre em Letras pela USP. APCA 2001 e 2003 – Para o Guia da Folha de São Paulo)
"Outros Barulhos" É uma fartura de vida, um armazém de fiados, armário de brinquedos extintos, que todo leitor vai se exuberar. É uma obra da saudade. A saudade alegra, inclusive, os dias em que cortamos os dedos. Bessa é poeta. Pela intuição maravilhosa. Pelas comparações novas. Pelo tempo de descrever, e, acima de tudo, de se calar na hora certa. A poesia quando narração é imbatível. A poesia como contadora de histórias é imbatível. (Fabrício Carpinejar poeta e jornalista, mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS.)
Aliado ao formato narrativo, revela-se o corte ágil, o ritmo veloz, caudatário das mídias eletrônicas. Dessa forma, alguns poemas reduzem-se a uma única frase sintética, detonadora de forte carga sugestiva: “o poeta escreve torto/ por linhas certas” (p.70); “hoje sonetos/ amanhã só netos” (p.62); “espinhas, pêlos, incógnitas, incógnitas e ejaculações” (p.29); “seus olhos/ são meu livro de cabeceira” (p.107). A agilidade e a explosão do mundo do rock são fatores determinantes da percepção alucinada das coisas, e mesmo de alguma imagem deformada ou fora de foco. (Edgard Reis - Belo Horizonte, MG, Brazil - ensaísta e escritor, doutor em literatura portuguesa pela UFRJ. livros publicados: violeta trindade, o lobo do cerrado, portugal poetas do fim do milênio, outono atordoado, mosaico insólito.)
Teus poemas são música na maré de literatura. São uma conversa que a gente nunca quer abandonar.
(Angel Cabeza - Poeta)
Reynaldo Bessa impressiona diante da linguagem material de sua fonética, pai/ países, vidas vivi, mortes morri. Pressiona quando é autofágico, como se eu fosse muitos, minha mãe várias, meu pai todos, o poeta devora a sua própria vida em busca da poiesis, devora a sua própria música para inventar outros barulhos. (Wilmar Silva - Poeta/Curador do projeto Terças poéticas - BH)
A poesia de Bessa é arrebatadora exatamente por isso, porque é de uma sinceridade comovente, à espreita da vidinha, aquela que está ao alcance de qualquer um que a olhe com os canais do estranhamento ligados pela intimidade com o arrepio do existir falar de Outros Barulhos não é difícil pelo seu imediato reconhecimento no contexto literário.Beatriz Bajo - Poeta, revisora, tradutora, professora de língua portuguesa e literatura, especialista em Literatura Brasileira (UERJ)
Bessa explora com êxito a ironia sádica. Construção provocadora em situações imprevisíveis; reality show da linguagem: os barulhos incomodam com prazer porque significam. Há também um poetar que remete à incerteza de tudo na pós-modernidade, carregada de tom confessional, erotismo e trabalho de linguagem bem urdida em nível concreto. (Márcio Almeida - Poeta)
“Reynaldo Bessa concorreu com os maiores da nossa poesia até chegar ao Prêmio Jabuti, e saiu na frente... melhor não citar nomes. É fácil entender a razão (justa) do reconhecimento: um texto emocionante, aparentemente despretensioso, mas pungente, numa autobiografia reinventada, entre surreal e cruelmente realista. Linguagem contemporânea, sem rebuscamentos retóricos, sem apelar para os coloquialismos banais e os barroquismos excessivos de outros autores que locupletam blogues e revistas literárias. Barulho é o que não falta na obra do jovem potiguar. Se não bastassem os versos criativos e definitivos, é compositor e exibe uma voz emocionante, com aqueles desdobramentos sonoros que apenas os nordestinos trazem em sua musicalidade.” (Antonio Miranda - Poeta, escritor, dramaturgo e escultor - Membro da Academia de Letras do Distrito Federal - Diretor da Biblioteca Nacional de Brasilia)
Ao voltar à infância, o poeta usa de lembranças para visualizar imagens poéticas surpreendentes, quando diz: “o silêncio/do meu irmão/doía mais/que as pancadas/do meu pai”. Mostra-nos que para ser moderno não é necessário perder o lirismo, como nestes curtos versos: “os vestidos escondem/mais segredos do que o mar”. e critica nossa condição humana em versos criativos, que diz: “os macacos/desceram das árvores/aí nasceu o trabalho,/a infidelidade, o divórcio e/o apartamento de um dormitório” . Outros Barulhos é um dos melhores livros de poesia que li nestes últimos anos. (Rogério Salgado-Poeta/Jornalista)
Destacam-se os Poemas de lembranças, tematizando a infância, a família, pleno de versos imagéticos e narrativos, quase prosa em verso, onde as lembranças resguardam as presenças dos familiares, nos momentos plenos de cargas emotivas, numa série de lembranças, as mais remotas, onde o eu-de-agora se vê sobrecarregado pelas emoções do eu-de-ontem. Essa relação dos vários Eu dentro do Poeta é problematizada em “a cada manhã / já não sou mais o de ontem / um dos meus tantos se foi tragado / pelas malhas dos sonhos” (p. 68), trecho do belo poema, onde o tom lírico se funde ao filosófico, quando a mente se prende nas teias do tempo, / estou sempre aonde não vou nunca estou onde estou o passado é uma grande mala sem alça que teimo em carregá-la e o futuro é alguém que sempre parte quando acabo de chegar / (p. 52) Mas este desconforto com o passado enquanto fardo é aliviado num poeminha lúdico, “eu sou o que lembro / ou o que esqueci?” (p.39), uma pergunta que certamente deve ter empolgado Marcel Proust e Pedro Nava, dois memoralistas, um francês, o outro mineiro, às voltas com os percalços do lembrar-e-esquecer. (Leonardo de magalhaens - Poeta)
Já faz tempo que não conheço nada como a poesia de Bessa.
(Leandro Custódio - Poeta)
Reynaldo Bessa, além de ser compositor, cantor e músico, tendo uma carreira consolidada na música popular brasileira, principalmente na música independente, com seu primeiro livro de poesia “Outros Barulhos”, revela o poeta que se “escondia” nas letras de suas canções.
No livro, poemas de vivências, de acontecimentos, de visões passadas e futuras, de encontros e desencontros, de despedidas e fusões, de vida e morte, de cotidiano, metrópoles e interioridades, surpresas e achados físicos e metafísicos, enfim...”Outros Barulhos” revela o poeta que Reynaldo Bessa sempre foi.
(Madan - Compositor - São Paulo - SP)
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