Sacou todas as suas reservas. Comprou a roupa que sempre sonhara: o olho da cara da sua alma. Abriu a caixa dos sapatos importados, cortou o cabelo naquele salão famoso que nunca pensara que entraria um dia. Aproveitou e fez barba e unhas. Tomou um banho demorado. Penteou-se como se rezasse um terço. Abriu o último dos perfumes que trouxera de Paris. Depois de pronto, perfumado, olhou-se no espelho e até chegou a sorrir. Seu último sorriso? Provável. Sempre fora vaidoso em vida, seria também na morte. Deitou-se e morreu. Foi achado um mês depois.
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