O amor é um cão dos diabos.
(Letra e música de Reynaldo Bessa)
O amor
é um cão, uma megera
Uma dor de soslaio na janela
um cisco no olho da razão
um fosso, uma fenda, uma quimera
uma puta vestida de donzela
um olho no sim,
o outro no não
Quando chega
é sempre um alvoroço
é um “tal” de agora tudo posso
até faz o sol se esconder
Mas quando se vai, desaparece
não há praga, pranto, não há prece
que faça o bruto amolecer
Malandro, mala, malaco
se eu te pego eu te mato
te parto, deixo vermelho
cara, carinha, se manda
vai devagar, sai de banda
vai se olhar no espelho
O amor
é um salto no escuro
um rasgo no olho do futuro
um descrente pregando seu sermão
um corte, um rombo, um furo, um talho
uma flecha buscando um atalho
pra trilha direta ao coração
Quando chega
é um deus nos acuda
o diabo também oferta ajuda
estrelas tilintam de alegria
Mas um dia se esvai, é tiro certo
atinge até quem não tá perto
com a faca cortante da agonia
o título é em homenagem ao escritor Charles Bukowski
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