Crônica poética
carros apressados
faróis como olhos loucos,
vermelhos
cigarros-cravo, tridents, entre outros,
perfumes,
homens e suas prováveis mulheres
eles tamborilam bolsos desesperados
elas sobrevoam outros céus, tantos:
os sonhos além dos sonhos, sempre
disfarces:
pulseiras tilintam ansiedades
isqueiros revelam rugas
abraços apertados de distâncias
prisões de chaves verbais,
escancaradas, sempre
o terceiro sinal
eles somem na escuridão de uma peça ruim,
mas o olhar de uma delas fica preso lá fora em alguém.
em alguém que "nunca" chegará a conhecer?
talvez: "nunca" é um lugar muito visitado
sempre.
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