Café.
Levem
minha medalha de bronze do meu primeiro e último campeonato de natação.
Levem minha foto da primeira comunhão onde um menino me olha assustado.
Levem meu boletim com a primeira nota azul.
Levem meu violino que nunca
tirei da caixa porque me lembrava uma enorme barata.
Levem a minha
paixão por uma professora de olhar triste e sorriso belo.
Levem meus velhos
discos; livros raros; também os lábios trêmulos por um beijo roubado. Levem
minha vontade de voltar para uma casa que já não mais existe.
Levem tudo, o
que quiserem, mas não me levem o café.
Este nem o médico
conseguiu.
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