Loucos, perdidos e pobres (quase santos)
madrugada fria:
cabelos desgrenhados e um piolho em cada fio...
piolhos gordos, grandes, gigantes
famintos,
eles deslizam pelos fios-avenidas
arrogantes,
eles e seus paupérrimos paraísos artificiais
barulhentos,
batem em portas
chutam lixos
berram
depois, vencidos pelo cansaço,
sentam e sonham sonhos mancos
sem o sapato direito
assobiam a fome, depois silenciam a solidão
a guardam na boca banguela de vida
e depois do depois, como bebês, engatinham para o nunca acolhedor
assim, fugindo da luz do dia, que como uma unha gigante
tenta lhes arrancar a última gota de sangue, num único e eficaz estalo
assim...
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