Espertos

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A vida tinha cheiro de peixe fresco....

quando eu me encontrava longe, além de todas as fronteiras, num país de nome estranho até para seus nativos e toda a febre fora de mim queimava tudo em volta e a infecção dentro de mim queimava tudo dentro e fora e tudo doía, todo final de tarde eu sentia um cheiro de peixe fresco invadir a minha janela e buscar minhas narinas; A vida tem cheiro de peixe fresco? eu me perguntava em minha agonia. A infecção doía, mas não doía tanto quanto o oco, o vazio, a ausência dela. Meu coração era como uma casa vazia com manchas nas paredes onde um dia foram quadros colocados com alegria. Passei vários dias ardendo no corpo e na alma e quando achei que morreria, quando achei que tudo estava consumado...entrei em coma...e tive sonhos estranhos (os sonhos já são estranhos, sim, mas eram como sonhos além dos sonhos) e estava tudo certo. Mas houve um despertar....ouvi um coro de meninos e um baque em algo que achei que fosse uma bola. Falei: morrer não é tão ruim. Ah! se todos soubessem. cambaleante fui até a janela. As gaivotas agouravam o azul. Veio de novo o cheiro de peixe....forte...burburinhos, gritos ao longe...vi a imagem de um livro se fechando e vi a poeira saindo de dentro dele. Lembrei-me dela e um sorriso arranhou meu rosto. Com um vento generosamente varrendo minha cara, pensei: esquecer alguém não é tão dificil. Dificil mesmo é morrer...

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