eu era ainda apenas um menino com um violão nas mãos e os bolsos furados
cheios de sonhos...costumava descansar minha vida sob as sombras das
algarobas e deixar o vento com cheiro de verde assanhar meus cabelos. Ao
voltar pra casa com os dedos cheios de
calos e a cabeça cheia de acordes ainda desafinados de anseios e
vontades, deixava que os vaga-lumes me sorrissem o caminho...em casa
havia um cheiro de café e lençóis limpos..um beijo de mãe cansada...a
esperança de um abraço apertado de um pai que não parava em casa...havia
os sorrisos dos meus irmãos cheios de estrelas...sim..e havia também
uma radiola que eu amava só menos que meu violão comprado em vinte quatro
prestações e que até hoje não paguei...aí eu ouvia coisas assim...que
apesar das pedras que eu encontrava, essas músicas me diziam...vá, siga
em frente, sonhos são assim, pássaros arredios, cavalos selvagens. Até
que um dia o menino percebeu que não cabia mais nos calçoes feitos pelos
dedos enrugados da mãe...ele não cabia em si de tanto sentir...e quando
ele parou de pensar em seus soldadinhos espalhados pelo jardim, quando
finalmente parou de pensar em seus gibis, álbuns de figurinhas, se viu
na estrada, sozinho, montado em seu sonho-corcel- selvagem...até hoje...
Amei sua delicadeza com sua família e seus sonhos. Continue sonhando menino do corcel e a compartilhar conosco. Parabéns e felicidades e o que você quiser. Aproveitando a oportunidade quero te dizer que nunca vou esquecer suas palavras pois, ficou nas boas lembranças.
ResponderExcluirVocê me surpreendeu.