Há uma grande imagem em minha vida, que acho, é
de onde tiro tudo o que escrevo. Antes de escrever o escritor vê.
Escreve com os olhos. A imagem é: meu pai sentado num banco alto,
ridículo e um menino suado e engraxando o seu sapato. O sapato do velho
brilhava vez ou outra como a luz de um farol sobre um lago dentro de uma
noite muito escura. Era final de tarde. Meu pai sorria como um bebê bem
alimentado enquanto eu me coçava dentro da minha alma apertada.
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