Espertos

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

alguns anos atrás
e seus tantos relógios usados,
quando meus pés sujos e de unhas incertas
pisavam estrelas; os trovões eram os gritos antecipados
do meu velho. E depois de ve-lo lá, imóvel, pálido, frágil,
inútil como um guarda-chuva em dia de sol, quase que o arranquei de dentro daquela quitinete de madeira escura, lisa e definitiva e quase que o arranquei daqueles sapatos engraxados para o fim de sua última festa e disse, em desespero: grita, pai, grita...grita como aqueles velhos trovões...grita. GRITA...

(Reynaldo Bessa)

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