alguns anos atrás
e seus tantos relógios usados,
quando meus pés sujos e de unhas incertas
pisavam estrelas; os trovões eram os gritos antecipados
do meu velho. E depois de ve-lo lá, imóvel, pálido, frágil,
inútil como um guarda-chuva em dia de sol, quase que o arranquei de
dentro daquela quitinete de madeira escura, lisa e definitiva e quase
que o arranquei daqueles sapatos engraxados para o fim de sua última
festa e disse, em desespero: grita, pai, grita...grita como aqueles
velhos trovões...grita. GRITA...
(Reynaldo Bessa)
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