Espertos

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Caminhei por ruas que me olhavam de esguelha e pensei pensamentos de esguelha. Havia um arpão maior que o peito. Nada mais insano que um ano atrás do outro, mas eis-me aqui, acho. O arpão? Não sei. Convivi com ele um tempo. Nem sei quanto. Ele deve estar encostado, enferrujado e sem dor, em algum lugar do passado. Com os cílios em chuva e o ipod no volume máximo, eu fui. Fui criando minhas próprias aventuras e tentando sair delas. Fui cavalgando o rocinante-vida e cá estou, de novo diante de um futuro-Dulcinéia. E eu vou. Sem medos e sem arpões. Por enquanto.

(Reynaldo Bessa)

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