Caminhei por ruas que me olhavam
de esguelha e pensei pensamentos de esguelha. Havia um arpão maior que o
peito. Nada mais insano que um ano atrás do outro, mas eis-me aqui,
acho. O arpão? Não sei. Convivi com ele um tempo. Nem sei
quanto. Ele deve estar encostado, enferrujado e sem dor, em algum lugar
do passado. Com os cílios em chuva e o ipod no volume máximo, eu fui. Fui criando minhas próprias aventuras e tentando sair delas.
Fui cavalgando o rocinante-vida e cá estou, de novo diante de um futuro-Dulcinéia. E eu vou. Sem medos e sem arpões. Por enquanto.
(Reynaldo Bessa)
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