Ao voltar da adega, sempre tento decifrar essa alegria que sinto toda vez que
vejo estes táxis - um atrás do outro - com suas luzinhas acesas. Penso que
talvez seja esta alegria que sentiremos no nosso último instante aqui
(o que seria, na verdade, esse "aqui"?), mas também sempre me lembro do
filósofo que disse que a morte não é um episódio da vida. Ela não
acontece enquanto você está pregando um quadro
na parede. Até acontece, mas quando ela vem, você já não é mais esse
homem pregando o quadro na parede ou com o saco de pão sob o braço.
Quando ela acontece você já não está mais lá. A morte não dá ouvidos aos seus passos imprecisos sobre paralelepípedos sardônicos. Ela nem
lhe conhece, nem sabe seu nome, e muito menos tem ideia de seus
sentimentos. A morte não se envolve, nunca. Ela cospe no chão pra essa
suposta alegria que você sente quando percebe os táxis vazios... Ela é
uma carta com seu endereço, mas que você não terá tempo de lê-la....
(Reynaldo Bessa)
Olá, professor! como vai?
ResponderExcluirEu li o texto mais recente, mas esse aqui eu gostei mais. Muito bom, direto e carregado de algumas coisas arrepiantes, principalmente o desfecho.
Grande abraço!
Fala, Rafa, querido. Que bom que gostou. Apareça sempre aqui e deixe seus comentários, ok? Grato. Abçs poéticos...
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