Espertos

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Ao voltar da adega, sempre tento decifrar essa alegria que sinto toda vez que vejo estes táxis - um atrás do outro - com suas luzinhas acesas. Penso que talvez seja esta alegria que sentiremos no nosso último instante aqui (o que seria, na verdade, esse "aqui"?), mas também sempre me lembro do filósofo que disse que a morte não é um episódio da vida. Ela não acontece enquanto você está pregando um quadro na parede. Até acontece, mas quando ela vem, você já não é mais esse homem pregando o quadro na parede ou com o saco de pão sob o braço. Quando ela acontece você já não está mais lá. A morte não dá ouvidos aos seus passos imprecisos sobre paralelepípedos sardônicos. Ela nem lhe conhece, nem sabe seu nome, e muito menos tem ideia de seus sentimentos. A morte não se envolve, nunca. Ela cospe no chão pra essa suposta alegria que você sente quando percebe os táxis vazios... Ela é uma carta com seu endereço, mas que você não terá tempo de lê-la....

(Reynaldo Bessa)

2 comentários:

  1. Olá, professor! como vai?
    Eu li o texto mais recente, mas esse aqui eu gostei mais. Muito bom, direto e carregado de algumas coisas arrepiantes, principalmente o desfecho.
    Grande abraço!

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  2. Fala, Rafa, querido. Que bom que gostou. Apareça sempre aqui e deixe seus comentários, ok? Grato. Abçs poéticos...

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