Letes
ou Mnemósine? Não encontro mais as marcas dos passos sobre minha
memória daquele rapaz em sua fuga geográfica e com seu tambor de guerra
fora da caixa e com Ela doendo na alma. Ele fugindo dela e ao mesmo
tempo com todas as suas unhas cravadas nas costas do passado. Agarrado a
ela como seu último fio. Letes ou Mnemósine? Não encontro mais a sombra
daquele solitário de mochila e olhos úmidos olhando a igrejinha de
Marseille por entre as venezianas da loja da Virgin. A igrejinha lá em
cima como se quisesse rasgar o céu e derrubar todos os anjos. A
igrejinha e o rapaz em seus gritos de peixes. Quem serei amanhã?
(Reynaldo Bessa)
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