Gosto
de olhar a rua esparramada e só. Maquiada feito uma viúva que espera o
marido para o jantar. Depois da chuva, ela lá, feito um cão tentando
lamber a bunda da noite. Cortinas solitárias de uma peça em fim de
temporada. Mas eu olho a rua que nem uma mãe olha seu filho no berço. E
nunca se sabe quem cuida de quem. Olho a rua vaidosa e a lua deslizando
suave feito um batom sobre seus lábios negros. Olho a rua ou a rua me
olha?
(Reynaldo Bessa)
(Reynaldo Bessa)
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