Espertos

quarta-feira, 11 de março de 2015

Gosto de olhar a rua esparramada e só. Maquiada feito uma viúva que espera o marido para o jantar. Depois da chuva, ela lá, feito um cão tentando lamber a bunda da noite. Cortinas solitárias de uma peça em fim de temporada. Mas eu olho a rua que nem uma mãe olha seu filho no berço. E nunca se sabe quem cuida de quem. Olho a rua vaidosa e a lua deslizando suave feito um batom sobre seus lábios negros. Olho a rua ou a rua me olha?

(Reynaldo Bessa)

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