coisas do paladar do eu,
do saber-se sabendo.
porque tudo é.
até o nada é.
essa angústia,
vez ou outra,
resolve calçar sapatos discretos,
usar cores neutras, abrir mão dos acessórios.
também fala baixinho e não encara ninguém.
noutras vezes, sai em seus high heels, suas cores espalhafatosas,
carregada de joias.
fala, ri muito alto, e olha bem na sua cara.
sei o peso dessa angústia.
sei o quanto ela veste, calça
sei que ela é antiga, até sei que nasceu antes de mim.
só não sei seu nome, de onde vem e quais são seus propósitos.
ela surge num dia, sem aviso,
feito uma mulher que sai para matar alguém,
e na volta, resolve passar num shopping para olhar as vitrines.
(Reynaldo Bessa)
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