quando ela me olhou,
levantou a mala e
decidiu partir,
não encontrei uma
única palavra.
não sabia o que dizer
ou tudo já havia sido dito?
vi seus pés
agitarem-se e
sua mão apertar ainda
mais a alça da mala.
era o momento.
aí veio um raio, um
estrondo, depois o dilúvio.
sentamos no sofá e
em silêncio ficamos
olhando a chuva.
minha oração continha apenas
uma palavra e
baixinho a repeti
infinitamente:
chova, chova, chova,
chova...
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