Espertos

sábado, 4 de março de 2017

quando ela me olhou,
levantou a mala e decidiu partir,
não encontrei uma única palavra.
não sabia o que dizer ou tudo já havia sido dito?
vi seus pés agitarem-se e
sua mão apertar ainda mais a alça da mala.
era o momento.
aí veio um raio, um estrondo, depois o dilúvio.
sentamos no sofá e
em silêncio ficamos olhando a chuva.
minha oração continha apenas uma palavra e
baixinho a repeti infinitamente:

chova, chova, chova, chova...

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