Há um lugar
Há um lugar
onde as árvores não são tristes e
um azul intenso ou um negro rasgado de estrelas
debruça-se sobre cálidos lagos
Um lugar
Onde há sempre um coro de crianças vazando das manhãs e
tardes se desmancham sobre as coisas como ouro em pó
Onde o vento traz sons de sinos distantes e cheiros de lençóis passados por mãos de mães dedicadas
Há um lugar, dentro de um lugar e que está fora de outro lugar
Ele não pode ser atingido, humilhado, saqueado, destruído.
Ele está lá, não como um país a ser descoberto, mas, sim visitado
Quantas vezes necessitares
Nunca nasceu e, portanto nunca morrerá, apenas existe e pulsa,
quieto feito um bebê alimentado e dormindo sobre um colchão macio e recheado de antigas canções
Tudo a sua volta pode ser demolido, soterrado, contaminado, corrompido,
mas lá, dentro, bem dentro do que seria o centro ou não, a
maldade não chega nem até a varanda.
Não porque é expulsa ou evitada,
mas porque reconhece que lá ela não reflete
não soa, não viceja
Um lugar que desconhece a ira, o ódio, a estupidez, a calúnia, a inveja
Que está distante do equivoco, da soberba, da miséria, do infortúnio
Tão difícil e fácil de achar esse lugar
Há um lugar, sim, eu sei
Como uma pérola numa concha sob o lodo da ignorância
Ele é meu, mas ao mesmo tempo de todos.
Mas único, como um lindo objeto refletido em infinitos espelhos
Quando tudo morre à sua volta, ele está ainda mais vivo
Pulsando, vivendo, rugindo
intacto
Esse lugar
Não está perto, nem longe.
Está dentro de nós
Lindo, você!
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