Gosto de manga.
Eu
enchia as mãos de frutas e saía correndo. Não havia supersônico que pudesse me
pegar. Quando estava quase pulando o muro, sentia falta do meu írmão. Dizia:
_Ué! onde ficou esse filho da puta?
Jogava as frutas do outro lado
do muro e voltava para pegá-lo. O encontrava perdido nas minúcias da
beleza de cada fruta. Eu o arrastava e quando saltávamos o muro, ainda conseguia ouvir vários tiros de sal e vorazes impropérios atrás de nós.
[Nossas
gargalhadas tinham gosto de manga].
O que mais gosto na sua poesia é esse trabalho mais enfático com a memória. Se todos escritores, poetas trabalham com a memória, alguns a tem como matéria, explicitamente, principal. Parece ser o seu caso. Haja vista "Outros barulhos". Isso me faz te associar, de certa forma, com Ferreira Gullar, o cara que mudou minha vida.
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