Agarrado a sua saia como se buscasse uma razão para minha existência, eu a olhava mordendo as lágrimas com os olhos.
Uma tarde oca, sem endereço, manca, insistia em caminhar para o lugar nenhum.
Meu pai chegava horas e horas depois e derramava seu desespero líquido por toda casa.
Ela contraía seus lábios finos na tentativa de evitar lidar com palavras maiores do que ela mesma. O óleo quente que vez em quando pingava em meus cabelos, rosto, coração, não doíam tanto quanto aquele silêncio fervendo em sua alma.
Uma tarde oca, sem endereço, manca, insistia em caminhar para o lugar nenhum.
Meu pai chegava horas e horas depois e derramava seu desespero líquido por toda casa.
Ela contraía seus lábios finos na tentativa de evitar lidar com palavras maiores do que ela mesma. O óleo quente que vez em quando pingava em meus cabelos, rosto, coração, não doíam tanto quanto aquele silêncio fervendo em sua alma.
Meu pai andava de um lado para o outro como a tentar preencher o vazio absurdo de vazio.
Ela continuava mergulhando aquela coisa de alumínio doído, torto de
existência que, um a um, ia tirando os pequeninos ódios amarelos fritos, que horas
depois, os comeríamos frios numa noite sem nome.
(Reynaldo Bessa)
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