"Enquanto
a prosa dos novos autores brasileiros se fixa no bizarro e no grotesco,
a lírica concentra-se no sublime e na memória. Se real ou inventada,
não importa. Como não importam também os choques ideológicos nem a
militância em defesa dessa ou daquela poética (marginal, pop,
conservadora, concreta etc.)
Reynaldo Bessa é músico, com cinco CDs na praça.
Familiarizado com harmonias e melodias sonoras e verbais, ele sabe que uma boa letra de música não é necessariamente um poema. Algumas são, mas muito poucas.
Para o Reynaldo poeta, um bom poema é mais do que qualquer outra coisa, um tipo peculiar de barulho, não de música.
Os poemas de “Outros Barulhos” em português e inglês, denunciam um pai,
uma mãe, uma infância, uma adolescência superficiais. Mas, há
alumbramentos, sustos luminosos. Há beleza na banalidade. E é o
movimento dialético – a verdade no falso – que faz desse eu lírico
ruidoso uma instância chamada “mal-estar”
Nelson de Olivieira
Escritor e Mestre em Letras pela USP.
APCA 2001 e 2003
(sobre o meu livro de poemas "Outros Barulhos" para o Guia Livros da Folha de São Paulo)
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