Espertos

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A única coisa que eu sabia era que estava em um lugar imenso e que procurava algo. Era um ambiente completamente desconhecido para mim, a despeito sentir que aquilo já me fora tremendamente familiar. Divisei uma enorme poltrona que mais me pareceu um trono. Aproximei-me com a sensação de que estava diante de uma divindade. No trono, me deparei com um bebê saudável, risonho, feliz. Sorria como se me perguntasse: “e aí, o que esperava... um velho de barbas longas e brancas?”. Rodopiei dentro do recinto como se procurasse algum indício pelo qual o bebê pudesse ter uma visão de todo o universo... Devia haver algo. “por que você procura de olhos abertos?” Perguntou-me. Fechei os olhos e cai num imenso escuro. Mais à frente mergulhei em bilhões de estrelas que me pareceram gotas d’água que caíam de algum lugar ao longe e que logo depois se espatifavam e cresciam lentamente como flores se abrindo, e que minutos (segundos, talvez) depois, cristalizavam-se. O bebê levantou-se, veio em minha direção, passou por mim, em seguida se voltou e por fim olhou-me. Agora eu era o bebê e o bebê era eu. Dois seres olhando-se num só olhar. Foi aí que percebi...

(Reynaldo Bessa)

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