A
única coisa que eu sabia era que estava em um lugar imenso e que
procurava algo. Era um ambiente completamente desconhecido para mim, a
despeito sentir que aquilo já me fora tremendamente familiar. Divisei
uma enorme poltrona que mais me pareceu um trono. Aproximei-me com a
sensação de que estava diante de uma divindade. No trono, me deparei com
um bebê saudável, risonho, feliz. Sorria como se me
perguntasse: “e aí, o que esperava... um velho de barbas longas e
brancas?”. Rodopiei dentro do recinto como se procurasse algum indício
pelo qual o bebê pudesse ter uma visão de todo o universo... Devia haver
algo. “por que você procura de olhos abertos?” Perguntou-me. Fechei os
olhos e cai num imenso escuro. Mais à frente mergulhei em bilhões de
estrelas que me pareceram gotas d’água que caíam de algum lugar ao longe
e que logo depois se espatifavam e cresciam lentamente como flores se
abrindo, e que minutos (segundos, talvez) depois, cristalizavam-se. O
bebê levantou-se, veio em minha direção, passou por mim, em seguida se
voltou e por fim olhou-me. Agora eu era o bebê e o bebê era eu. Dois
seres olhando-se num só olhar. Foi aí que percebi...
(Reynaldo Bessa)
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