Não
escuto muito o cantar dos passarinhos, aqui, da minha varanda. Às vezes,
aos domingos, quando as britadeiras são abandonadas, e os carros baixam
suas febres, aí, eu escuto até o tiritar dos dentes da Catedral da Sé,
morrendo de frio, e a estátua do Adoniran assobiando um novo samba. Mas
eu estou falando de uma quinta-feira, não de um domingo cheirando a
barbearias... Ah, esta chuva paulistana.
Esta que quando você olha para um lado e depois se volta para o outro e já é chuva. Aí da varanda, com
uma caneca esfumaçando, apuro os ouvidos e fico ouvindo esta canção,
esta, sim, tá ouvindo? A água pegando carona nos pneus dos carros na tentativa de voltar ao céu. Ao céu cinzento desse meu amor transparente por
essa cidade de não sei....
(Reynaldo Bessa)
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