Gosto
de sentir o gosto da azeitona preta e o amargo da ausência e o gosto doce das passas das caixinhas vermelhas no preto e branco do meu passado
ainda faminto de cores e gosto do cheiro do inocente ardendo no forno e
gosto de ver o pisca como o futuro apagando-acendendo numa teimosia de
tomada e eu penso que poderiam cortar a luz e o futuro também, e o que mais? Ah, essa capivara sempre faminta pisoteando o meu peito. e
este tilintar de incertezas de copos e lágrimas de vinho no rosto e depois constipação e vazio e cervejas e o inocente quase pronto ardendo no forno e sem
natal. E eu? Num armário escuro que é o tamanho exato do mundo inexato.
(Reynaldo Bessa)
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