Espertos

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Gosto de sentir o gosto da azeitona preta e o amargo da ausência e o gosto doce das passas das caixinhas vermelhas no preto e branco do meu passado ainda faminto de cores e gosto do cheiro do inocente ardendo no forno e gosto de ver o pisca como o futuro apagando-acendendo numa teimosia de tomada e eu penso que poderiam cortar a luz e o futuro também, e o que mais? Ah, essa capivara sempre faminta pisoteando o meu peito. e este tilintar de incertezas de copos e lágrimas de vinho no rosto e depois constipação e vazio e cervejas e o inocente quase pronto ardendo no forno e sem natal. E eu? Num armário escuro que é o tamanho exato do mundo inexato.

(Reynaldo Bessa)

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