Espertos

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

se foi...
numa tarde silenciosa e sem nome
e eu tão longe...
sem saber
que todas as pipas seriam cortadas
que todas as ondas não mais se ergueriam
que todas as tardes seriam confusas
como sorrisos sem dentes.
cílios entrecruzando-se num silêncio de morte
e eu fazendo um café, pagando contas, sonhando sonhos
inalcançáveis.
foice...
num arder solitário e sem dono
e eu tão longe...
sem saber
que todos os pássaros seriam silenciados
que todos os frutos amargariam
que todas as folhas ficariam suspensas
feito palavras que não foram ditas
olhos semicerrados num meio adeus à vida
e eu sem fé, com ideias tontas, chorando amores
impossíveis.
fiquei...
ainda mais morto do que ele...


Reynaldo Bessa

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