olhava-a de longe feito Moisés contemplando a terra proibida.
eu era um menino olhando um brinquedo e já sabendo que não poderia mais brincar com ele
via tudo e todos que um dia foram meus. a cada dia a vida ia-se.
até que ficou da distancia de um braço.
e eu olhava-a. Agora ela parecia um quadro na parede.
e cada vez mais longe.
eu ainda podia sentir as pinceladas na ponta dos dedos, mas ela continuava indo...
e eu me perguntei - mesmo sabendo que não havia mais ninguém para me escutar - é isso morrer? Na verdade, quem está indo? Pararemos um dia de fazer estas perguntas?
até que um dia ouvi apenas o raspar da minha unha na tela e vi um farelo da existência cair sobre o assoalho...
E depois... depois mais nada.
(Reynaldo Bessa)
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