Já não sei de quem são esses cílios feito um bichinho
se movendo em minha nuca
também não sei ao certo a cor da pele
as vozes estão cada vez mais longe
a quem pertence esses sapatos, esse lenço, esse batom?
não lembro
há muitos perfumes aqui dentro
minha solidão torna-se maior, não quando elas se vão,
mas sim, quando chegam
de quem é essa toalha? essa peça íntima? Se é que tem uma dona, mas por certo não chegaram aqui sozinhas
elas continuam vindo
sonham com tantas coisas
choram tanto e logo estão sorrindo
elas dizem que gostam de mim, mas
não acredito, sorrio apenas
elas precisam se divertir um pouco pra esquecerem por alguns
momentos o caminho de casa. Necessitam vez em quando
silenciar a solidão ruidosa sob a pele que o tempo lambe
elas gostariam de não mais chorar
estão cansadas
sabem que a vida é uma corda bamba
sabem que o corpo não mais as obedecem
eu as olho, depois escorrego na poltrona e fecho os olhos.
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