animais degolados,
espalhados, a tarde jazia,
lembranças aladas em bando:
e no vento que ria: “até quando?”
cabeça no espaço, tardia.
corações congelados,
espancados, unha, carne, azia.
Nêmesis, sua tenda armando:
e no vento que ria: “até quando?”
num canto, infância cortada, ardia.
poemas coagulados,
manchados, o vermelho luzia.
mortos, da torneira pingando:
e no vento que ria: “até quando?”
uma irmã que não chega, rangia.
relógios quebrados,
cansados, o tempo fingia.
a tristeza de esguelha, olhando:
e no vento que ria: “até quando?”
faca cravada no passado, tremia.
sonhos rasgados,
manchados, doce sangria.
uma resposta, ainda tentando:
para o vento que ria: “até quando?”
(Reynaldo Bessa)
poemas coagulados,
manchados, o vermelho luzia.
mortos, da torneira pingando:
e no vento que ria: “até quando?”
uma irmã que não chega, rangia.
relógios quebrados,
cansados, o tempo fingia.
a tristeza de esguelha, olhando:
e no vento que ria: “até quando?”
faca cravada no passado, tremia.
sonhos rasgados,
manchados, doce sangria.
uma resposta, ainda tentando:
para o vento que ria: “até quando?”
(Reynaldo Bessa)
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