Espertos

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

o meio


o resto é frio
o frio todo em volta
suas coxas são como o retorno
o descanso
o meio pulsa
como se quisesse nascer novamente
me aconchego
sinto
você  sente
vê em que estado me deixa
ele quer ir pra você
deslizar
se perder
quer você
sinto todo o formato
como o paraíso de portas escancaradas
posso sentir todo o seu cheiro roubando o quarto
dói o meio
pulsa
ha um conflito entre espera e desespero
ele quer sentir  toda a sua maciez
toda a sua eternidade liquida
o calor de um dia quente
bem no meio de suas coxas
chove
dentro de suas coxas
minha boca saliva
minha língua palpita
meu queixo sente a sua temperatura
a língua sente teu gosto
é o gosto da chegada
sinto você pequenina na ponta da minha língua
pulsando como uma grande guerra
rosa úmida querendo o atrito úmido
e ritmado
como uma marcha de prazer
enquanto minha língua apronta
o entre minhas pernas pulsa
lateja
querendo o portal
com todas as virtudes e os pecados
com todas as vitorias e as derrotas
com todo o fracasso do após
quer entrar e sair de você como o pendulo do infinito
a carne na carne
o desejo no desejo
o atrito no atrito
o úmido no úmido
pra depois, morto de cansaço, como um naufragado
dormir as margens das tuas coxas
um mar logo ali
e deliciosamente
conquistado
por enquanto

(Reynaldo Bessa)

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