Ando meio, é verdade,
assim como um não inteiro,
ou um sim pela metade.
Espertos
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Uma porção de cotidiano, por favor!
Você comprou os remédios da mamãe, hein? São de cristal? Um minuto, preciso atender essa ligação, alô! Você precisa pegar esse emprego. Tô nem ai pra você...Isso já terminou, não percebe? Olha quem vem ali. O que você vai pedir? Deixa que eu faço. Mamãe, quero sorvete. Pode colocar um pouco mais de cal. Poderia me dar uma mão aqui? Essa bosta num tá querendo pegar. Vá se foder. Ou me paga ou num terá a outra parte. Que lindo! Obrigado por isso. Beijo. Sai da frente filho da puta. O que vai fazer hoje a noite? Prefiro me matar a ter que fazer isso. Eu tenho dinheiro, você não. Passei num sexshop e lhe comprei isso. Esse lugar tá bom? Ei, por favor, mais uma. São vinte e cinco. Para com isso. Senta ali. Pula, vai. Quer dizer alguma coisa? Acha que sim?
Sim, aqui estão...Fala pra ela não tomar sem ler a receita como da última vez. Sim, e custaram uma grana. Ok! Sem problemas. Eu sei que preciso, mas a concorrência é grande, sabia? Sim, mas temos filhos, uma casa, uma história, uma família. Olha só, é o Stênio. Quanto tempo. Como envelheceu, hein? Sei lá...Num tô com muita fome não. Uma saladinha, talvez. Tudo bem, vá em frente. Sorvete não pode.Se eu colocar mais cal, pode perder o ponto, mas o senhor é quem manda. Só uma ou você quer as duas?..rs..to brincando, claro! Precisa trocar a bateria. Vai você. Posso te pagar na próxima semana, mas preciso da outra parte hoje. De nada. Você merece muito mais. Outro. Vai tomar no cu, viado. Acho que dormir..hehehe. Tem coisa melhor? É só por um tempo. Mas eu tenho saúde, você não. Putz, é grande, hein? É assim que gosto. Tá, ótimo. Senta ali que sento aqui. Já vai, mano, guenta aí. Vinte e cinco? Caraca! Já parei. Prefiro aqui. É muito alto. Não. Acho
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Por isso.
Escrevo porque preciso inventar um mundo no qual possa acreditar e habitar.
Não acredito nesse mundo real. É real demais pra ser verdadeiramente habitável.
Não acredito nesse mundo real. É real demais pra ser verdadeiramente habitável.
Descriar
Ali no canto,
a morte, trêmula e débil de cansaço,
tenta recuperar suas forças,
logo após ter cumprido o seu ofício.
Criar o homem não deve ter sido fácil,
mas, aniquilá-lo,
tampouco.
a morte, trêmula e débil de cansaço,
tenta recuperar suas forças,
logo após ter cumprido o seu ofício.
Criar o homem não deve ter sido fácil,
mas, aniquilá-lo,
tampouco.
domingo, 17 de julho de 2011
As alemãzinhas Hippies e o velho Hank
"Duas alemãzinhas hippies, uma com 19 e a outra com 22, batem na porta de Chinaski.
_Oiiii. A gente leu seus livros e queria te conhecer - disse a mais velha
_Entrem meninas - convidou Hank
_Aposto que voce conhece muitas mulheres - soltou ansiosa a mais nova
_Escrevo ficção - disse Chinaski
_O que é ficção? - continuou a novinha
_Ficção é a vida melhorada - mandou o velho safado
_quer dizer que voce mente? - perguntou a de 22
_Um pouco - finalizou Chinaski
_Oiiii. A gente leu seus livros e queria te conhecer - disse a mais velha
_Entrem meninas - convidou Hank
_Aposto que voce conhece muitas mulheres - soltou ansiosa a mais nova
_Escrevo ficção - disse Chinaski
_O que é ficção? - continuou a novinha
_Ficção é a vida melhorada - mandou o velho safado
_quer dizer que voce mente? - perguntou a de 22
_Um pouco - finalizou Chinaski
sábado, 16 de julho de 2011
Dia ruim...
Liguei a secretária eletrônica:
"olha aqui seu *#&+*#
quem vc pensa que é?
não sou o tipo de mulher que vc está acostumado a sair, viu? seu *#@¨&
pensa que pode entrar na minha vida e sair assim? tire seu cavalinho da chuva, *&%#. Vê se cresce. Seja homem e não esse*&@#* que vc é"
Ufa!
Olha, não sei quem vc é. Desculpe tá dizendo tudo isso.
Eu precisava dizer isso tudo pra ele, como não o encontrei to dizendo pra vc.
Precisava desabafar. Foi mal aí, ok? boa noite...
tum, tum, tum, tum, tum...
"olha aqui seu *#&+*#
quem vc pensa que é?
não sou o tipo de mulher que vc está acostumado a sair, viu? seu *#@¨&
pensa que pode entrar na minha vida e sair assim? tire seu cavalinho da chuva, *&%#. Vê se cresce. Seja homem e não esse*&@#* que vc é"
Ufa!
Olha, não sei quem vc é. Desculpe tá dizendo tudo isso.
Eu precisava dizer isso tudo pra ele, como não o encontrei to dizendo pra vc.
Precisava desabafar. Foi mal aí, ok? boa noite...
tum, tum, tum, tum, tum...
No words
Quando ela me olhou,
levantou a mala e decidiu partir,
não encontrei uma única palavra.
Não sabia o que dizer ou tudo já havia sido dito?
Vi seus pés se agitarem e sua mão apertar a alça da mala.
Era o momento.
Aí veio um raio, um estrondo, depois o dilúvio.
Sentamos no sofá e em silêncio ficamos olhando a chuva.
Minha oração continha apenas uma palavra e
baixinho a repeti infinitamente: chova, chova, chova, chova...
levantou a mala e decidiu partir,
não encontrei uma única palavra.
Não sabia o que dizer ou tudo já havia sido dito?
Vi seus pés se agitarem e sua mão apertar a alça da mala.
Era o momento.
Aí veio um raio, um estrondo, depois o dilúvio.
Sentamos no sofá e em silêncio ficamos olhando a chuva.
Minha oração continha apenas uma palavra e
baixinho a repeti infinitamente: chova, chova, chova, chova...
Paz
Ah! se eu conseguisse aprisionar
esta paz que vez ou outra se deita ao meu lado.
Chega lenta e suavemente.
Sorri - não muito - e
me abraça
Eu a conheço, ela me conhece, mas não nos vemos sempre e
cada um, como pode, carrega o seu mundo particular
Depois do abraço, me olha como se afagasse meus cabelos
Vai ficar um tempo
Sei que uma hora - talvez quando eu estiver dormindo – terá ido,
mas estou totalmente absorto em seus enleios que não necessito das palavras
Não há lógica
É um não-estar, estando
Um não-ser, sendo
Um.
esta paz que vez ou outra se deita ao meu lado.
Chega lenta e suavemente.
Sorri - não muito - e
me abraça
Eu a conheço, ela me conhece, mas não nos vemos sempre e
cada um, como pode, carrega o seu mundo particular
Depois do abraço, me olha como se afagasse meus cabelos
Vai ficar um tempo
Sei que uma hora - talvez quando eu estiver dormindo – terá ido,
mas estou totalmente absorto em seus enleios que não necessito das palavras
Não há lógica
É um não-estar, estando
Um não-ser, sendo
Um.
domingo, 26 de junho de 2011
Uma culpa que mesmo morta, voa alto, bem alto.
Carrego uma pequenina-grande culpa. Bom! Eu era um merda no estilingue e ainda sou. Não que eu tenha tentado. Simplesmente sei que ainda sou. Mas pra quê eu deveria ser bom nisso? Eu devia ter uns dez aninhos, acho: com o tempo esses números vão ficando cada vez mais complicados. Um dia um amigo me disse que pra se tornar um “Ás” no estilingue, tínhamos que arrancar o coraçãozinho de um passarinho ainda vivo e engoli-lo logo em seguida. Eu era um imbecil: fiz isso.
Ainda lembro daquela coisinha indefesa arfando em minhas mãos. Lembro do meu dedo mindinho perfurando aquele peitinho trêmulo: ossinhos e peninhas sobre as mãos de um covarde.
Enquanto o coraçãozinho deslizava pela minha garganta, lágrimas rolavam pelo meu rosto. Eu dizia: meu Deus o que foi que você fez? O que foi que Você fez? Você não criou o homem a sua imagem e semelhança, Você criou um monstrinho a sua imagem e semelhança. Foi isso que Você criou.
Ainda lembro daquela coisinha indefesa arfando em minhas mãos. Lembro do meu dedo mindinho perfurando aquele peitinho trêmulo: ossinhos e peninhas sobre as mãos de um covarde.
Enquanto o coraçãozinho deslizava pela minha garganta, lágrimas rolavam pelo meu rosto. Eu dizia: meu Deus o que foi que você fez? O que foi que Você fez? Você não criou o homem a sua imagem e semelhança, Você criou um monstrinho a sua imagem e semelhança. Foi isso que Você criou.
Hoje, quando alguém me pergunta se tenho alguma culpa, paro alguns minutos, penso e digo...Sim, tenho. E é uma culpa imensa, a despeito caber na minha mão.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Poetas de AaZ
Um poema que fiz especialmente para as crianças assassinadas em Realengo. Está na antologia que foi organizada pelo editor/escritor Anderson Fonseca e agora é editada pela revista de literatura e arte "Germina". Estou lá com mais 59 poetas. Essa é uma das formas da arte - nesse caso, a poesia - tentar a paz.
http://www.germinaliteratura.com.br/especialrealengo/realengo_poemas9.htm#44
GERMINA - REVISTA DE LITERATURA E ARTE
http://www.germinaliteratura.com.br/especialrealengo/realengo_poemas9.htm#44
GERMINA - REVISTA DE LITERATURA E ARTE
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Depois do temporal, mais temporal, mas tudo bem...
Depois do temporal,
lágrimas descansaram em seu rosto como
o orvalho sobre uma delicada folha...
lágrimas descansaram em seu rosto como
o orvalho sobre uma delicada folha...
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Trecho da orelha do escritor Nelson de Oliveira sobre o novo livro de Reynaldo Bessa (aguardem!)
"...Os contos deste livro tocam a corda mais sensível de nossa fantasia. Por isso certos parágrafos doem tanto. Há alfinetes neles. Há imagens pontiagudas e poéticas, que laceram as retinas do leitor. Reynaldo Bessa sabe injetar na prosa o lirismo mais inquietante..."
Nelson de Oliveira nasceu em 1966, em Guaíra, SP. Escritor e doutorando em Letras pela USP, publicou mais de vinte livros para adultos e crianças, entre eles Naquela época tínhamos um gato (contos, 1998), Subsolo infinito (romance, 2000), O filho do Crucificado (contos, 2001, também lançado no México), A maldição do macho (romance, 2002, publicado também em Portugal), Verdades provisórias (ensaios, 2003) e O oitavo dia da semana (romance, 2005). Em 2001 organizou a antologia Geração 90: manuscritos de computador e em 2003, Geração 90: os transgressores, com os melhores prosadores brasileiros surgidos no final do século XX. Desde 2003 coordena oficinas de criação literária para escritores diletantes, com obra ainda em formação, e pessoas interessadas em aprimorar suas habilidades no uso da linguagem literária. Colabora regularmente com o jornal Rascunho (PR) e com o caderno Idéias & Livros, do Jornal do Brasil (RJ). Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas (1995), o da Fundação Cultural da Bahia (1996) e duas vezes o da APCA (2001 e 2003).
terça-feira, 31 de maio de 2011
Ela
Se algum dia me perguntarem
se já pus um pôr-do-sol na boca,
direi que sim.
Ainda trago raios
entre os dentes.
se já pus um pôr-do-sol na boca,
direi que sim.
Ainda trago raios
entre os dentes.
Saudades são canções de estradas
Estradas tagarelas,
paisagens e seus
cabelos desgrenhados,
uma lua cabisbaixa segue
seu rotineiro caminho.
Saudade de um amigo.
paisagens e seus
cabelos desgrenhados,
uma lua cabisbaixa segue
seu rotineiro caminho.
Saudade de um amigo.
Momentos sei lá...
Quando minha mãe estava preocupada,
tinha a mania de riscar a unha do dedo indicador da mão
esquerda sobre a coxa esquerda.
Era um gesto leve feito um vestido de noiva deslizando sobre o solo de uma igreja.
Seu sorriso parecia um gatinho faminto.
Quando a via assim, punha todos os meus soldadinhos numa refrega sem fim.
tinha a mania de riscar a unha do dedo indicador da mão
esquerda sobre a coxa esquerda.
Era um gesto leve feito um vestido de noiva deslizando sobre o solo de uma igreja.
Seu sorriso parecia um gatinho faminto.
Quando a via assim, punha todos os meus soldadinhos numa refrega sem fim.
As mãos do meu pai
Esses dias pensei nas mãos do meu pai. Quando ele dormia, eu podia enfim observá-las, ali sobre ele como dois pássaros abatidos. Algumas lembranças me chegam como folhas caindo, mas essas vieram como um tiro na fronte.
A Lei
Quando voce se entrega, entende, a natureza, em gestes delicados, lhe acena o caminho. Agora folhas caindo já não são mais somente folhas caindo. Você agora consegue perceber o texto que elas escrevem antes de tocarem o chão.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
QUINTA POÉTICA 37ª EDIÇÃO
26 de maio de 2011
início às 19h
na Casa das Rosas (evento gratuito)
Avenida Paulista 37, 01311-000 São Paulo, Brazil ·
Teléfono 1132856986
Informações: http://escrituraseditora.blogspot.com/
Saiba mais sobre o evento e os convidados:
Quinta poética
Curadoria: José Geraldo Neres
--------------------------------------------------------------------------------
Escrituras Editora
Rua Maestro Callia, 123 - Vila Mariana
04012-100 - São Paulo - SP - Brasil
Tel.: (11) 5904-4499 (Pabx)
http://www.escrituras.com.br/
www.youtube.com/user/EscriturasEditora
início às 19h
na Casa das Rosas (evento gratuito)
Avenida Paulista 37, 01311-000 São Paulo, Brazil ·
Teléfono 1132856986
Informações: http://escrituraseditora.blogspot.com/
Saiba mais sobre o evento e os convidados:
Quinta poética
Curadoria: José Geraldo Neres
Mensalmente, a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura abre suas portas para a Quinta Poética, um grande encontro dos amantes da boa poesia, com a presença de poetas consagrados e novos talentos, que têm a oportunidade de apresentar seu trabalho. Intervenções artísticas das mais diferentes expressões, como dança, música, artes plásticas, cultura popular, envolvem a leitura dos poemas. Grandes nomes da poesia já estiveram presentes nesses encontros, que são promovidos pela Escrituras Editora e a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.
Os poetas:
Edson Cruz (Ilhéus, BA) é poeta, editor e revisor publicitário. Desgraduou-se em muitas coisas: Psicologia, Música , Violão e Letras. Foi fundador e editor do site de literatura Cronópios (até meados de 2009) e da revista literária Mnemozine. Lançou em 2007, Sortilégio (poesia), pelo selo Demônio Negro/Annablume e, como organizador, O que é poesia?, pela Confraria do Vento/Calibán. Lançou em dezembro de 2010, na Casa das Rosas, uma adaptação do épico indiano, Mahâbhârata, pela Paulinas Editora. É professor no Curso Prática de Criação Literária da UnicSul/Terracota Editora, no Módulo Poema.
É editor do site de Literatura e Adjacências, MUSA RARA (www.musarara.com.br).
Blogue: http://sambaquis.blogspot.com
Elaine Pauvolid (1970) é poeta, ensaísta e carioca. Participou de Vertentes, coletânea de poemas e fortuna crítica (Fivestar, 2009) em parceria com: Márcio Catunda, Marcio Carvalho, Ricardo Alfaya e Tanussi Cardoso. Autora de Leão lírico (edição da autora, 2008). Ganhadora do prêmio Biguá, concedido pela SADE - Sociedade Argentina de Escritores, em 2006. Participou de diversas antologias nacionais e da antologia Como angeles em llamas - Algunas voces latinoamericanas del S. XX.- Editorial Maribelina, sello de la Casa del Poeta Peruano/ Lima (abril/2004 - Uruguay). Participou de Rios (Íbis Libris, 2003) juntamente com os poeta Márcio Catunda, Ricardo Alfaya, Tanussi Cardoso e Thereza Christina Rocque da Motta. Estudante de artes plásticas da Escola de Artes Plásticas do Parque Lage desde 2003. Autora de Trago (edição artesanal da autora, 2002), prefácio de Gerardo Mello Mourão. Em 1998, estreou como poeta com Brindei com mão serenata o sonho que tive durante minha noite-estrela... (Imprimatur/7 Letras). Colabora com resenhas para a imprensa desde 1999 e criou e edita Aliás, revista eletrônica de cultura (www.aliasrevista.com).
Reynaldo Bessa é músico e escritor. Já lançou cinco CDs. O mais recente com músicas suas sobre diversos poemas de autores como: Drummond, Leminski, Auta de Souza, Alphonsus de Guimaraens, além de Fabrício Carpinejar, Wilmar Silva, Ricardo Corona, Alice Ruiz entre outros. Em 2008, lançou seu primeiro livro Outros Barulhos – Poemas (Prêmio Jabuti 2009 - Poesia) que concorreu ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2009. Em 2010, foi um dos vencedores do PRÊMIO SESC DE LITERATURA em parceria com a Editora Record, com o seu livro de contos Algarobas Urbanas. Bessa tem contos, crônicas, poemas publicados em revistas, jornais, suplementos literários pelo Brasil e exterior.
Rosane Carneiro é autora de Excesso (1999, edição da autora,) Prova (2004, Ibis Libris) e Corpo estranho (2009, Editora da Palavra). Foi publicada em antologias, revistas e livros de ensaios diversos, destacando-se Além do cânone, de Helena Parente Cunha, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brazil, Lyric, and the Americas, de Charles A. Perrone, da Universidade da Flórida, e Germina, revista de literatura e arte, os mais recentes. Integra o corpo editorial de Aliás, revista eletrônica de cultura. É editora, redatora e mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ.
Idealizado pela atriz e diretora Thereza Piffer, as Performances do Grupo Sensus trazem aos espectadores a consciência e a percepção de seus ritmos internos os colocando em contato com sensações que normalmente não lhes são muito acessíveis. Com o objetivo de que o público consiga captar sensações diferentes, nossos elencos interagem com textos, sons, objetos e ritmos. Assim, através da literatura e, muitas vezes privando o público da visão, as performances atuam em várias camadas do imaginário, ampliando gradualmente a percepção e despertando o interesse e apreensão imediatos pela obra dos grandes escritores.
Curador da Quinta Poética:
José Geraldo Neres nasceu em Garça, SP, em 1966. Poeta, roteirista, dramaturgo (com formação em oficinas e cursos de criação textual) e produtor cultural. Publicou o livro de poesia Outros Silêncios, Prêmio ProAC da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo 2008, (Escrituras Editora, 2009) realizado por meio do programa “Bolsa para autores com obra em fase de conclusão” da Fundação Biblioteca Nacional em 2007/2008; e Pássaros de papel (Dulcinéia Catadora, edição artesanal, SP, 2007). É cofundador do Palavreiros. Integrante do Conselho Gestor & Editorial do Ponto de Cultura Laboratório de Poéticas (Programa Cultura Viva, do MinC). Gestor Cultural e Curador da Sala Permanente de Vídeo/Doc da 8ª Bienal Internacional do Livro do Ceará (2008). Jurado da etapa inicial do Prêmio Portugal Telecom de Literatura (2009). Ministra oficinas literárias, com ênfase em criação literária e estímulo à leitura. Seu livro Olhos de Barro recebeu menção especial na 3a edição do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura (ficção - 2010).
Blog: http://neres-outrossilencios.blogspot.com/
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Escrituras Editora
Rua Maestro Callia, 123 - Vila Mariana
04012-100 - São Paulo - SP - Brasil
Tel.: (11) 5904-4499 (Pabx)
http://www.escrituras.com.br/
www.youtube.com/user/EscriturasEditora
Vida
Não devemos reclamar da pressa, lentidão, ócio, compromissos, falta ou sobra de tempo. Isso é a vida e ela não cabe em si. Depois de mortos cabemos em qualquer lugar.
Ela
Acordar pensando nela é como despertar num domingo de sol e ceu azul, ouvindo um samba do Adoniran e sentindo cheiro de café vindo de algum lugar.
domingo, 15 de maio de 2011
Leveza...
Para a escritora Mariana Collares
Vi-me num labirinto de sonhos
saía de um e entrava em outro
constantemente...
eu queria conhecer pessoalmente o "infinito"
eu caminhava por lindas ruas,
perguntando; por favor! alguém sabe onde mora o infinito?
não o encontrei, mas descobri que as belas ruas
pelas quais eu caminhava, eram os
quase imperceptíveis vincos dos seus
belos lábios. Eu morava neles.
O Poder da Música
Meu pai ainda não tinha comprado a nossa, então, no começo da tarde eu via passar pelo portão, algo que mais parecia ser um animal embalsamado carregado por rapazes espinhentos e sorridentes: era uma radiola. É que vez em quando, minha irmã mais velha resolvia dar uma festinha em casa. Convidava alguns amigos (Os de sempre. Amizade era quase um pacto mortal) e em requebros desengonçados, todos pareciam espanar suas preocupações, frustrações, fracassos. Eu ainda era pequeno, mas confesso que até divertia-me quando era pisoteado ou jogado contra a parede quando tentava atravessar todas aquelas pessoas em convulsões. Mas para mim, a verdadeira festa era mesmo o dia seguinte, quando toda minha família reunia-se em volta da radiola com a mesma reverência que os fiéis, nas igrejas, ajoelhavam-se diante dos seus santos prediletos. Foi aí que percebi o poder da música.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Antologia "O Melhor da Festa 3" da FestiPoa - Festa literária de Porto Alegre 2011
Participam da coletânea: Adão Iturrusgarai, Ademir Assunção, Alexandre Rodrigues, Altair Martins, Amilcar Bettega, Antonio Carlos Secchin, Antonio Cicero, Antônio Xerxenesky, Andréia Laimer, Augusto Paim, Bárbara Lia, Carlos André Moreira, Cardoso, Carlos Gerbase, Carlos Pessoa Rosa, Cássio Pantaleoni, Claudia Tajes, Cristian De Nápoli, Daniel Weller, Diego Petrarca, Douglas Diegues, E. M. de Melo e Castro, Everton Behenck, Flávio Wild, Guilherme Orosco, Guto Leite, Henrique Rodrigues, Henrique Schneider, Horacio Fiebelkorn, Jacob Klintowitz, Jeferson Tenório, João Gilberto Noll, Jorge Fróes, Laerte, Laís Chaffe, Leandro Dóro, Liana Timm, Lima Trindade, Lúcia Rosa, Luciana Thomé, Luís Dill, Luís Serguilha, Luiz Paulo Faccioli, Marcelo Spalding, Márcia Denser, Maria Rezende, Marcelo Sahea, Marlon de Almeida, Monique Revillion, Nei Lopes, Nelson de Oliveira, Nicolas Behr, Olavo Amaral, Paulo Ribeiro, Pena Cabreira, Ramon Mello, Reginaldo Pujol Filho, Reynaldo Bessa, Ricardo Silvestrin, Rodrigo Bittencourt, Rodrigo dMart, Rodrigo Rosp, Ronald Augusto, Sandro Ornellas, Sergio Faraco, Simone Campos, Tailor Diniz, Virna Teixeira, Wilmar Silva, Wladimir Cazé, Xico Sá.
Título: O melhor da festa volume três
Número de páginas: 264
Preço: R$ 25,00
Número de autores participando: 71
Conteúdo: poemas, contos, crônicas, cartuns e tiras
Projeto gráfico: Jorge Nácul
Capa: Márcio-André
Revisão: Press Revisão
Supervisão editorial: Laís Chaffe
Organizador: Fernando Ramos
Editora: Casa Verde
domingo, 17 de abril de 2011
ah! essas beldades e suas bolsinhas bicho-grilo...
Sentada, pernas cruzadas e gesticulando constantemente como se regesse uma orquestra invisível. Foi assim que a encontrei. Sorria, sorria muito, mais do que gesticulava. Notei sua delicada calcinha tentando ver o que se passava aqui fora. Vi também uma suave marquinha: resultado de saudosas praias, quem sabe, ao lado do namoradinho surfista. Calor pede descontração e de quebra, um pouco de generosidade. "Ainda" não podemos ser presos por isso: por deixar uma delicada calcinha respirar um pouco e muito menos por olhá-la constantemente como se o mundo todo em volta não tivesse mais o menor interesse. E quer saber? Não tinha mesmo.
Calor, sim, como já disse, e um dia quente exige que uma mulher saiba muito bem o que fazer com suas longas mechas. Esta sabia: em dois ou no máximo três golpes e seus cabelos já estavam encolhidinhos bem no topo da cabeça, deixando seu michelângico pescoço desprotegido diante do meu olhar canino. Mas ela era muito inquieta - como uma bela jovem não pode ser inquieta? – depois de alguns minutos já estava desfazendo aquela serpente negra enrodilhada em si mesma e deixando cair uma densa, reluzente e tagarela cachoeira sobre as costas. Mas logo ela voltaria com os dois ou no máximo três golpes, num ansioso fazer e desfazer: serpente, cachoeira, serpente...cacho...
Calor, sim, como já disse, e um dia quente exige que uma mulher saiba muito bem o que fazer com suas longas mechas. Esta sabia: em dois ou no máximo três golpes e seus cabelos já estavam encolhidinhos bem no topo da cabeça, deixando seu michelângico pescoço desprotegido diante do meu olhar canino. Mas ela era muito inquieta - como uma bela jovem não pode ser inquieta? – depois de alguns minutos já estava desfazendo aquela serpente negra enrodilhada em si mesma e deixando cair uma densa, reluzente e tagarela cachoeira sobre as costas. Mas logo ela voltaria com os dois ou no máximo três golpes, num ansioso fazer e desfazer: serpente, cachoeira, serpente...cacho...
Juntou as mãos em conchinha, deu dois clicks no isqueiro bic e acendeu um cigarro. Seu primeiro trago foi doído, como se ligasse desesperadamente para alguém no meio da noite. Jogou o braço sobre o espaldar da cadeira: o cigarro trabalhando entre os dedinhos - dizem que o diabo mora nos detalhes, não só mora, como chamou toda a parentada para viver bem ao lado dele - agora, meus olhos escalavam seu braço e ele me pareceu uma asa de um boing 747 fazendo uma manobra radical no espaço. Seus pelinhos: ah! logo me vi perdido nessa florestinha delicada, cheia de fadinhas, gnomos e cheirando, talvez, a sabonete Dove, ou mesmo - já que ela usava uma surrada bolsinha bicho-grilo - a algum incenso que ela colocara para queimar logo pela manhâ, ao som de um Hendrix endiabrado.
Meus olhos ajoelharam-se diante de seus pés. Seus dedinhos pareciam pãezinhos, todos juntinhos, esperando o forno. Deslizei rapidamente meus olhos pelo seu corpo. Dos pés parti para os ombros: havia uma tatuagem ali, mas logo depois da primeira investida, desisti de tentar decifrá-la, pois era minúscula, e além do mais, parte dela estava sob a fininha alcinha de sua blusinha.
Vez ou outra ela jogava as costas na parede e caía na gargalhada, mas logo depois, como se cortasse a gargalhada em duas e deixasse a outra metade pra rir depois, já estava séria e apertando seus olhinhos de boneca para tentar visualizar algo no final da rua que sua amiguinha ao lado, e tão bela quanto, apontava. Suas coxas, ah, vamos pulá-las - Não em cima delas, claro! apesar de... - não porque não quero falar sobre elas, mas porque não haveria espaço aqui. Ah! num haveria espaço suficiente para descrevê-las nem no infinito. Maravilhas em movimento? Talvez, talvez, talvez. Só pude pensar no exato momento em que ela havia sido criada: o quanto o artesão havia se demorado naquelas coisinhas delicadas e roliças. O que se passa na cabeça do criador quando decide caprichar muito numa mulher? Colocar mais confusão no mundo?
Vez ou outra ela jogava as costas na parede e caía na gargalhada, mas logo depois, como se cortasse a gargalhada em duas e deixasse a outra metade pra rir depois, já estava séria e apertando seus olhinhos de boneca para tentar visualizar algo no final da rua que sua amiguinha ao lado, e tão bela quanto, apontava. Suas coxas, ah, vamos pulá-las - Não em cima delas, claro! apesar de... - não porque não quero falar sobre elas, mas porque não haveria espaço aqui. Ah! num haveria espaço suficiente para descrevê-las nem no infinito. Maravilhas em movimento? Talvez, talvez, talvez. Só pude pensar no exato momento em que ela havia sido criada: o quanto o artesão havia se demorado naquelas coisinhas delicadas e roliças. O que se passa na cabeça do criador quando decide caprichar muito numa mulher? Colocar mais confusão no mundo?
Olhei-a, olhei-a tanto que perdi a noção do tempo. Só depois que ela se foi, pude voltar a mim mesmo e foi aí que percebi minha cerveja intacta sobre a mesa, quente de solidão. Dei um gole e pensei; vão-se as mulheres, ficam as cervejas. Nem tudo está perdido. Mas mesmo assim, elas, as mulheres nunca se vão totalmente. Fica sempre algo delas, sim, algo sempre fica, e uma vez dentro, elas não podem mais reivindicá-lo.
sábado, 16 de abril de 2011
A solidão é um bicho macio
A solidão é um bicho macio. Pude sentir sua pele sobre a minha quando o ônibus que me trazia de Madrid entrou em Barcelona. Era noite e a primeira coisa que vi foi uma pracinha com suas luzes. Parecia uma pracinha qualquer, como uma dessas do interior. Um desses lugares em que crianças brincam sob melancólicas lâmpadas e que por diversas vezes tentei fugir de mim mesmo.
Eu acabara de despertar e o ônibus me pareceu seguir sentido contrário ao meu do sono que aos poucos ia se desprendendo de mim como uma pele morta. Olhando a cena deslizando lá fora, senti tudo como um turbilhão. Uma coisa tão forte que olhei em volta com receio de que as pessoas estivessem ouvindo o barulho dentro de mim: uma saudade grande de casa. Uma dessas saudades que só se sente em sonho. Pude sentir o cheiro da minha velha; cheiro do pó sobre sua pele flácida que por diversas vezes colou em meus lábios. Lembrei-me de seu sorriso tímido feito um cachorrinho sob a mesa. Senti o cheiro do seu café (esse cheiro me acompanhou por toda a Europa) e vi sua bíblia surrada.
Passei uma mão sobre a outra porque tive a sensação de que o creme que meu pai usava em sua bela cabeleira, agora estava ali, sobre elas, como se eu estivesse acabado de passá-las por entre os fios de seus cabelos sagradamente penteados. Ouvi a velha cantiga de redes balançando. Encolhi-me e dei um abraço em mim mesmo. Depois embacei tudo, tudo o que via. Dentro e fora de mim.
Eu acabara de despertar e o ônibus me pareceu seguir sentido contrário ao meu do sono que aos poucos ia se desprendendo de mim como uma pele morta. Olhando a cena deslizando lá fora, senti tudo como um turbilhão. Uma coisa tão forte que olhei em volta com receio de que as pessoas estivessem ouvindo o barulho dentro de mim: uma saudade grande de casa. Uma dessas saudades que só se sente em sonho. Pude sentir o cheiro da minha velha; cheiro do pó sobre sua pele flácida que por diversas vezes colou em meus lábios. Lembrei-me de seu sorriso tímido feito um cachorrinho sob a mesa. Senti o cheiro do seu café (esse cheiro me acompanhou por toda a Europa) e vi sua bíblia surrada.
Passei uma mão sobre a outra porque tive a sensação de que o creme que meu pai usava em sua bela cabeleira, agora estava ali, sobre elas, como se eu estivesse acabado de passá-las por entre os fios de seus cabelos sagradamente penteados. Ouvi a velha cantiga de redes balançando. Encolhi-me e dei um abraço em mim mesmo. Depois embacei tudo, tudo o que via. Dentro e fora de mim.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Brinquedo quebrado...
Quando um pai morre e
deixa seus filhos,
um carrossel em algum lugar do infinito
continua girando,
mas com alguns cavalinhos faltando
deixa seus filhos,
um carrossel em algum lugar do infinito
continua girando,
mas com alguns cavalinhos faltando
terça-feira, 12 de abril de 2011
A eternidade num minuto
Com seus cabelos entre meus dedos, como se isso fosse a sustentação da minha vida e meu olhar perdido em suas costas e em seus movimentos como uma dança ainda por ser inventada, por alguns minutos, não sabia mais quem eu era, nem o que estava fazendo.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
7 PERGUNTAS PARA REYNALDO BESSA (para o blog do poeta Jovino Machado)
01: Quem é Reynaldo Bessa ?
Um homem ainda pensando ser seu super-heroi favorito.
02: Como foi a experiência de musicar poemas ?
Senti-me como um ladrão invadindo a casa dos meus amigos poetas. Entrei lá para tirar algumas palavras e aproveitar para deixar alguns acordes. Acho que tá tudo certo, porque, Bukowski, que é um dos mais difíceis ainda não reclamou.
03: O que achou da polêmica do Jabuti ?
O jabuti é um prêmio importante, cobiçado, desde o poeta desconhecido até o mais renomado. A perfeição não existe e se existisse eu a rejeitaria. O grande barato está no eterno aprimorar-se. Portanto é natural que surjam algumas polêmicas. Quando a multidão tem sede é preciso cuidado para não quebrar a única jarra d'agua até então.
04: O que é o sucesso ?
Sucesso é nivelamento e consequentemente contentar-se com o nível que lhe cabe. Realizar-se nele. Algumas pessoas possuem um nível de um copo de licor, outras de um copo americano, outras ainda possuem um nível de uma tulipa, outros de uma jarra, um tonel, um rio, um oceano e por ai vai. O problema é quando se deseja o nível alheio.
05: Você tem medo da morte ?
Até os mortos têm medo da morte. Aquele que diz que não tem é porque não sabe que tem. Mas enquanto não chegar a hora da minha última dança, dançarei todas as que tenho direito. E as que não me forem concedidas, dançarei sozinho, bem no meio da minha sala.
06: 10 coisas que você gostaria de fazer antes de morrer ?
Pintar com todas as cores das lembranças um pôr-do-sol que vi em Marseille-França, logo que cheguei.
Um dia me sentir voltando para casa. Sempre me senti partindo, nunca voltando.
Rever as venezianas desenhadas nas costas dela, enquanto o sol já se preparava para deixar seu turno. Esse final de tarde ainda sussurra em minha mente.
Pedir para a menina do sonho ( por quem sou apaixonado ) adentrar meu sonho mais uma vez e me dar aquele beijo indescritível.
Levantar uma casinha de dois cômodos no que sobrar da Amazônia. Se tiver um pouco mais de espaço, faço um quintal também.
Comprar um forte-apache e um autorama. Não necessariamente nessa desordem.
Escrever uma obra-prima e que esta venda milhões e que seja sucesso de crítica e de leitores ( Que a pessoa dormindo ao meu lado não me desperte desse sonho ).
Casar novamente e novamente e me separar novamente e novamente e que elas continuem me chamando de canalha, egoísta, cafajeste. Desisti dessa utopia faz tempo.
Gravar um canto indígena.
Tornar-me Buda.
07: Como gostaria de morrer ?
Entre amigos e livros, falando da vida e bebendo num bar...
veja aqui a entrevista no blog do Jovino:
http://jojomachado.zip.net/
Um homem ainda pensando ser seu super-heroi favorito.
02: Como foi a experiência de musicar poemas ?
Senti-me como um ladrão invadindo a casa dos meus amigos poetas. Entrei lá para tirar algumas palavras e aproveitar para deixar alguns acordes. Acho que tá tudo certo, porque, Bukowski, que é um dos mais difíceis ainda não reclamou.
03: O que achou da polêmica do Jabuti ?
O jabuti é um prêmio importante, cobiçado, desde o poeta desconhecido até o mais renomado. A perfeição não existe e se existisse eu a rejeitaria. O grande barato está no eterno aprimorar-se. Portanto é natural que surjam algumas polêmicas. Quando a multidão tem sede é preciso cuidado para não quebrar a única jarra d'agua até então.
04: O que é o sucesso ?
Sucesso é nivelamento e consequentemente contentar-se com o nível que lhe cabe. Realizar-se nele. Algumas pessoas possuem um nível de um copo de licor, outras de um copo americano, outras ainda possuem um nível de uma tulipa, outros de uma jarra, um tonel, um rio, um oceano e por ai vai. O problema é quando se deseja o nível alheio.
05: Você tem medo da morte ?
Até os mortos têm medo da morte. Aquele que diz que não tem é porque não sabe que tem. Mas enquanto não chegar a hora da minha última dança, dançarei todas as que tenho direito. E as que não me forem concedidas, dançarei sozinho, bem no meio da minha sala.
06: 10 coisas que você gostaria de fazer antes de morrer ?
Pintar com todas as cores das lembranças um pôr-do-sol que vi em Marseille-França, logo que cheguei.
Um dia me sentir voltando para casa. Sempre me senti partindo, nunca voltando.
Rever as venezianas desenhadas nas costas dela, enquanto o sol já se preparava para deixar seu turno. Esse final de tarde ainda sussurra em minha mente.
Pedir para a menina do sonho ( por quem sou apaixonado ) adentrar meu sonho mais uma vez e me dar aquele beijo indescritível.
Levantar uma casinha de dois cômodos no que sobrar da Amazônia. Se tiver um pouco mais de espaço, faço um quintal também.
Comprar um forte-apache e um autorama. Não necessariamente nessa desordem.
Escrever uma obra-prima e que esta venda milhões e que seja sucesso de crítica e de leitores ( Que a pessoa dormindo ao meu lado não me desperte desse sonho ).
Casar novamente e novamente e me separar novamente e novamente e que elas continuem me chamando de canalha, egoísta, cafajeste. Desisti dessa utopia faz tempo.
Gravar um canto indígena.
Tornar-me Buda.
07: Como gostaria de morrer ?
Entre amigos e livros, falando da vida e bebendo num bar...
veja aqui a entrevista no blog do Jovino:
http://jojomachado.zip.net/
sábado, 9 de abril de 2011
Horizonte de cera
Setenta e oito anos cravados
cavanhaque pra esconder a papada e
cabelo em corte romano para tentar solapar o tempo
olhar de cera sobre um horizonte de cera
traga seu cigarro como se esfaqueasse a esposa tão velha quanto
e expele a fumaça como uma máquina que
precisa continuar trabalhando
a morte passa por ele e faz que não o vê.
cavanhaque pra esconder a papada e
cabelo em corte romano para tentar solapar o tempo
olhar de cera sobre um horizonte de cera
traga seu cigarro como se esfaqueasse a esposa tão velha quanto
e expele a fumaça como uma máquina que
precisa continuar trabalhando
a morte passa por ele e faz que não o vê.
Onde?
eu ainda te procuro sob todas as unhas,
sob todos os vestidos, sob todas as noites,
sob todos os cílios, sobre todas as ruas,
sob todas as ruinas, sobre todas as pontes,
sobre todas as páginas, sob todas as mentiras,
sob todas as luzes, sob minhas pálpebras
entre todas as fendas, sobre tudo que há
sob, sobre, entre, fora e dentro de mim.
sob todos os vestidos, sob todas as noites,
sob todos os cílios, sobre todas as ruas,
sob todas as ruinas, sobre todas as pontes,
sobre todas as páginas, sob todas as mentiras,
sob todas as luzes, sob minhas pálpebras
entre todas as fendas, sobre tudo que há
sob, sobre, entre, fora e dentro de mim.
domingo, 3 de abril de 2011
*La vida en su mejor momento es apenas soportable
Era una vez tres cerditos: Heitor, Prático y Cícero. Su mamá había echado de casa los tres porque no aguantaba más tanta pelea. Entonces ellos fueron a vivir en la floresta. Cada uno tenía que construir una casa para vivir. Cícero era muy perezoso y construyó una casa muy débil e muy fea también. Llevó sólo una semana para terminarla. Heitor tenía un poco más de ganas y así, levantó una casa de madera, pero muy fea igual a la de Cícero. Ya Prático pensó mucho y decidió construir una casa de sus sueños. Una bonita mansión. Pasó mucho tiempo construyéndola
Todo estaba yendo muy bien, pero después de algún tiempo, se quedaron todos aburridos, porque no había nada para hacer en la selva. Todos los días pasaban muy tranquilos. Con las lluvias y con los vientos fuertes de las tempestades, las casas de Cícero y Heitor empezaron a caer. Prático, a pesar de aburrido con el sitio iba viviendo.
Hasta que un día apareció un lobo en la floresta que quería comprar una casa para vivir, porque él oyó que por aquellos lados del bosque vivía una caperucita roja por quien estaba muy enamorado. El lobo tenía mucha plata y quería una casa re linda. Cuando vio las tres casas no pensó dos veces y luego compró la casa de Prático. Cícero e Heitor se quedaron muy tristes, pero no había mucho lo que hacer.
Con toda la plata, Prático fue a vivir en el sur de Francia. Toda semana recibía cartas de sus hermanos. Estaban más aburridos y además peleaban todos los días con el lobo. Después de un año paró de llegar las cartas. Prático se quedó un poco preocupado, pero seguió viviendo su tranquila vida. Después de más un año llegó una carta. Era de su mamá y decía:
Mi querido hijo, ¿cómo estás?
Tengo una noticia buena y otra mala.
Cuál prefieres primero?
Dale! Cómo no estás aquí para contestarme,
yo voy a decirte primero la buena.
Finalmente, el lobo se casó con la caperucita roja.
Fue una gran y muy bonita fiesta.
Muchas personas y animales fueron invitados. Mucha música y mucha danza por toda la noche. Yo fui invitada también, claro! y solo salí de allá cuando el cielo estaba clareando
Sí, ahora la noticia mala:
En la fiesta, el plato principal fue:
“cerditos a la manzana”
¿Cuándo apareces por aquí?
Añoranzas,
tu mamá
*Frase colhida do romance - Ninfa Inconstante - Guillermo Cabrera Infante
terça-feira, 22 de março de 2011
Mais uma daquelas
Ruas tímidas.
A loja de conveniências e suas esperanças falsificadas.
Entro, mesmo sabendo que estas esperanças
esfriarão antes de terminar o café.
Uma rosa sangra em algum lugar.
Alguém trepida sob um cobertor cheirando a amaciante.
Noite perplexa.
Sou atingido por estilhaços.
Não há como fugir dessa noite que fuma cigarrilhas e
degusta bons vinhos sob um viaduto que me
espreita com seu olhar de anjo caído
A loja de conveniências e suas esperanças falsificadas.
Entro, mesmo sabendo que estas esperanças
esfriarão antes de terminar o café.
Uma rosa sangra em algum lugar.
Alguém trepida sob um cobertor cheirando a amaciante.
Noite perplexa.
Sou atingido por estilhaços.
Não há como fugir dessa noite que fuma cigarrilhas e
degusta bons vinhos sob um viaduto que me
espreita com seu olhar de anjo caído
domingo, 13 de março de 2011
Branco, branquinho.
Sim, é um belo vestido de noiva: branco, branquinho. Exatamente como queria seu pai. Ele costumava dizer... tem que ser branco, brrrrrranco mesmo. Porque nem todo mar é verde e nem todo céu é azul, assim como nem todo branco é branco. Sim, é mesmo um belo e branco vestido de noiva. Sorriu. O grande espelho a olhava obediente. Arregalava ao máximo seus olhos para que ela coubesse toda nele. Ela, ali, sorria, se remexia dentro do belo vestido... Branco... branquinho, como queria seu pai...exatamente como ele queria.
Colocou as mãos na cintura, depois flexionou levemente uma das pernas. Voltou a ficar ereta. Levou a anca direita um pouco para frente, fez o mesmo com a anca esquerda, mas antes disso trouxe a anca direita para trás, claro! As mulheres sempre conseguem o que querem, mas isso, não. Isso elas “ainda” não conseguem. Mirando-se de esguelha, deu aquela máxima viradinha de bunda - que é quando a mulher fica quase na forma de um DNA - pra tentar vê-la completamente. Olhou, olhou. Desmanchou o DNA. De frente de novo. Só ela e o espelho. Deu quatro passos para trás. Perguntou-se se quatro era um número de sorte. Pensou em dar mais quatro: símbolo do infinito, deitado, claro! Mas primeiro precisava imaginar o oito em pé pra só depois poder deitá-lo. Não conseguia imaginá-lo já deitado, tumbado, acostado. Não havia tanto espaço ali, por isso ficou nos quatro mesmo. Olhou-se de longe. Mãos na cintura. Depois, seguindo o ritmo de uma marcha nupcial que só tocava em sua cabeça, começou a aproximar-se do paciente espelho. Tantantantan, Tantantantan...Olhos marejando....tantantantan...Olhos marejados...Tantantantan, Tantantantan. Ficou tão próxima do espelho que seu hálito o embaçou. Simmmmmm, eu o aceito... Pensou ter dito isso e depois beijou o espelho. Alguém conseguiria ser tão frio quanto um espelho? Perguntou-se, mas não deu trela alguma pra resposta.
Afastou-se. Mãos na cintura ainda. Tentou sorrir: a primeira, a segunda. Havia um sorriso ali, mas este era como alguém que acabara de despertar e não queria se mostrar totalmente.
Que belo vestido de noiva, hein? Papai ficará branco de tão branco que é o vestido. Ficará satisfeito. De tanto olhar para si mesma, por um momento, breve, brevíssimo, chegou a pensar que não era ela, ali, diante daquele espelho repleto de corpos refletidos em sua memória de espelho: mulheres - algumas muito jovens, outras nem tanto - que diariamente se postavam ali, cara a cara com ele, sem nem lhe perguntar como tinha sido o seu dia ou como estava o seu humor de espelho.
A gente pensa cada coisa. Suspirou. Deixou os braços caírem na cintura. Se não fossem os ombros, teriam caídos ao chão. Casamento, casamento: esse já era um daqueles sonhos em que ela teve que, contra a vontade, jogá-lo fora, feito aquele filho que a gente ama muito, mas é obrigada a entregá-lo para morrer no front. Casamento agora estava fora de questão. Foi-se o tempo. Não é que o tempo não para, mas é que ele nunca espera. O tempo tem um tempo próprio e num tá nem aí pro nosso tempo. Sim, os homens vieram e muitos, mas se foram, e todos. Homens têm receio de “pegar” compromisso. Casamento, casamento: seu pai não esperava mais isso dela. De tanto esperar ele nem percebeu que já não mais esperava. Isso agora era como uma foto que de tanto desbotar se transformara em algo tão confuso que ninguém fazia mais a menor questão de mirá-la.
De onde surgiram todas essas rugas? O que aconteceu com seus belos lábios? E sua bunda empinada, em que havia se transformado? Para onde tinha ido? Fechou a cara, depois jogou os dois braços as costas como se quisesse puxar os cabelos que caíam um pouco depois da nuca. Foi descendo o zíper: uma muralha da china em suas costas. Da nuca ao cóccix. Desvencilhou-se do vestido como se saísse de uma cápsula do tempo. Bom ou ruim, já não mais sabia. Apenas um tempo.
Colocou o vestido no manequim da vitrine e ele pareceu mais animado, ali com todos os outros vestidos. Ela o mirou mais uma vez, quem sabe a última. No dia seguinte, talvez, uma cliente o levasse. As mulheres já são complexas demais, quando o assunto é casamento, então... Bom, era sem dúvida um belo vestido de noiva, essa ou mesmo uma outra cliente acabaria levando-o. Com certeza ficará pouco tempo na vitrine e seu pai ficará bastante satisfeito. Suspirou... sorriu...foi até a cozinha e tomou um café frio. Já à porta, desligou todas as luzes e por alguns segundos contemplou todos aqueles vestidos brancos. Agora nem tão brancos, nem tão branquinhos assim, mas mesmo no escuro ela sabia que eram belos vestidos de noiva. Sonhos ou desilusões na cor branca. Pensou. Deu de ombros. Com um hermético molho de chaves e uma prática adquirida em todos esses longos anos, trancou a porta. Desejou que todas suas lembranças tivessem ficado lá dentro também, todas elas, no silencioso escuro da loja, como todos aqueles vestidos.
domingo, 6 de março de 2011
"Outros Barulhos" é o livro do mês no blog "Ideia Subalterna"
No reino das musas, há muitas moradas. Espalhafatosas ou retorcidas algumas, outras simples como barracos de meia água. Fachadas deslumbrantes, muralhas intransponíveis, cercas de arame. De tudo. A poesia lírica admite várias entradas, rio generoso de incontáveis afluentes. Na cultura contemporânea, destaca-se, dentre os diversos modos líricos, o filão narrativo.
O caminho trilhado por Reynaldo Bessa resulta de cuidadosa atenção à simplicidade e à memória, de onde brotam pequenos relatos, impressões toscas e densas lembranças, quase sempre ásperas e intratáveis.
Um dia
caminhei descalço por entre as poças
deixadas pela chuva.
meus pés balançavam as estrelas,
baldeava o céu
relampejava e eu não tinha medo.
como pode alguém com fome
ter medo de relâmpagos?
A linguagem simples e a expressão da subjetividade formam o arco por onde vibra esta poesia. A inserção social, as tiradas filosóficas, a ênfase à diferença, o imprevisto, a pulsão erótica, os fantasmas do passado, tudo o mais decorre dessa aliança. A memória da infância é um território fértil para Reynaldo Bessa. Atravessada de espantos, experiências amargas, descobertas, sobressaltos:
o silêncio
de meu irmão
doía mais
que as pancadas
do meu pai
Aliado ao formato narrativo, revela-se o corte ágil, o ritmo veloz, caudatário das mídias eletrônicas. Dessa forma, alguns poemas reduzem-se a uma única frase sintética, detonadora de forte carga sugestiva: “o poeta escreve torto/ por linhas certas” (p.70); “hoje sonetos/ amanhã só netos” (p.62); “espinhas, pêlos, incógnitas, incógnitas e ejaculações” (p.29); “seus olhos/ são meu livro de cabeceira” (p.107). A agilidade e a explosão do mundo do rock são fatores determinantes da percepção alucinada das coisas, e mesmo de alguma imagem deformada ou fora de foco.
um dia encontrei Deus
Ele tinha bebido, tava perdido
me perguntou onde estava
e eu Lhe respondi: no lugar que merece
Viajar no passado pode servir de refúgio diante do presente inóspito, mas não há permanência na infância desprovida de culpa ou de fantasmas alvoroçados. A inocência é uma pretensa dádiva, uma parceira exigente e arrogante. A poesia de Reynaldo Bessa, tangida por um ritmo quebrado, uma pegada desentoada, acordes desafinados, sequência estridente, desorienta uma casta de leitores, interessados em efeitos de métrica e de representação metafórica. Ingênua jamais, cultiva a diversidade e a sutileza da réplica intertextual: “ó amar malvado,/ quanto do teu mal/ são lástimas afinal/ nada Pessoal”.
(Edgard Reis - Belo Horizonte, MG, Brazil - ensaísta e escritor, doutor em literatura portuguesa pela UFRJ. livros publicados: violeta trindade, o lobo do cerrado, portugal poetas do fim do milênio, outono atordoado, mosaico insólito.)
Nascido em Mossoró, poeta, cantor e compositor, Reynaldo Bessa desenvolve carreira como músico profissional em São Paulo, onde reside há duas décadas. Em seu mais recente CD, interpreta poemas de Drummond, Leminski, Carpinejar e Alice Ruiz, entre outros. Um diferencial: a edição é bilíngue, todos os poemas tem versão para o inglês, sob responsabilidade de Sérgio Ivanchuk. O livro Outros barulhos foi Prêmio Jabuti em 2009.
BESSA, Reynaldo. Outros barulhos. Belo Horizonte: Anome, 2008. 128 p.
O caminho trilhado por Reynaldo Bessa resulta de cuidadosa atenção à simplicidade e à memória, de onde brotam pequenos relatos, impressões toscas e densas lembranças, quase sempre ásperas e intratáveis.
Um dia
caminhei descalço por entre as poças
deixadas pela chuva.
meus pés balançavam as estrelas,
baldeava o céu
relampejava e eu não tinha medo.
como pode alguém com fome
ter medo de relâmpagos?
A linguagem simples e a expressão da subjetividade formam o arco por onde vibra esta poesia. A inserção social, as tiradas filosóficas, a ênfase à diferença, o imprevisto, a pulsão erótica, os fantasmas do passado, tudo o mais decorre dessa aliança. A memória da infância é um território fértil para Reynaldo Bessa. Atravessada de espantos, experiências amargas, descobertas, sobressaltos:
o silêncio
de meu irmão
doía mais
que as pancadas
do meu pai
Aliado ao formato narrativo, revela-se o corte ágil, o ritmo veloz, caudatário das mídias eletrônicas. Dessa forma, alguns poemas reduzem-se a uma única frase sintética, detonadora de forte carga sugestiva: “o poeta escreve torto/ por linhas certas” (p.70); “hoje sonetos/ amanhã só netos” (p.62); “espinhas, pêlos, incógnitas, incógnitas e ejaculações” (p.29); “seus olhos/ são meu livro de cabeceira” (p.107). A agilidade e a explosão do mundo do rock são fatores determinantes da percepção alucinada das coisas, e mesmo de alguma imagem deformada ou fora de foco.
um dia encontrei Deus
Ele tinha bebido, tava perdido
me perguntou onde estava
e eu Lhe respondi: no lugar que merece
Viajar no passado pode servir de refúgio diante do presente inóspito, mas não há permanência na infância desprovida de culpa ou de fantasmas alvoroçados. A inocência é uma pretensa dádiva, uma parceira exigente e arrogante. A poesia de Reynaldo Bessa, tangida por um ritmo quebrado, uma pegada desentoada, acordes desafinados, sequência estridente, desorienta uma casta de leitores, interessados em efeitos de métrica e de representação metafórica. Ingênua jamais, cultiva a diversidade e a sutileza da réplica intertextual: “ó amar malvado,/ quanto do teu mal/ são lástimas afinal/ nada Pessoal”.
(Edgard Reis - Belo Horizonte, MG, Brazil - ensaísta e escritor, doutor em literatura portuguesa pela UFRJ. livros publicados: violeta trindade, o lobo do cerrado, portugal poetas do fim do milênio, outono atordoado, mosaico insólito.)
Nascido em Mossoró, poeta, cantor e compositor, Reynaldo Bessa desenvolve carreira como músico profissional em São Paulo, onde reside há duas décadas. Em seu mais recente CD, interpreta poemas de Drummond, Leminski, Carpinejar e Alice Ruiz, entre outros. Um diferencial: a edição é bilíngue, todos os poemas tem versão para o inglês, sob responsabilidade de Sérgio Ivanchuk. O livro Outros barulhos foi Prêmio Jabuti em 2009.
BESSA, Reynaldo. Outros barulhos. Belo Horizonte: Anome, 2008. 128 p.
Poemas inéditos - Escritablog
Na Revista eletrônica Escritablog foram publicados alguns dos meus poemas inéditos
Canifira aqui:
http://escritablog.blogspot.com/2011/03/novos_05.html
Canifira aqui:
http://escritablog.blogspot.com/2011/03/novos_05.html
Outros Barulhos - Fortuna Crítica (essa é a verdadeira fortuna)
"Outros Barulhos" do músico-poeta Reynaldo Bessa - Prêmio Jabuti 2009
"Outros Barulhos" É uma fartura de vida, um armazém de fiados, armário de brinquedos extintos, que todo leitor vai se exuberar. É uma obra da saudade. A saudade alegra, inclusive, os dias em que cortamos os dedos. Bessa é poeta. Pela intuição maravilhosa. Pelas comparações novas. Pelo tempo de descrever, e, acima de tudo, de se calar na hora certa. A poesia quando narração é imbatível. A poesia como contadora de histórias é imbatível. (Fabrício Carpinejar poeta e jornalista, mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS.)
Aliado ao formato narrativo, revela-se o corte ágil, o ritmo veloz, caudatário das mídias eletrônicas. Dessa forma, alguns poemas reduzem-se a uma única frase sintética, detonadora de forte carga sugestiva: “o poeta escreve torto/ por linhas certas” (p.70); “hoje sonetos/ amanhã só netos” (p.62); “espinhas, pêlos, incógnitas, incógnitas e ejaculações” (p.29); “seus olhos/ são meu livro de cabeceira” (p.107). A agilidade e a explosão do mundo do rock são fatores determinantes da percepção alucinada das coisas, e mesmo de alguma imagem deformada ou fora de foco. (Edgard Reis - Belo Horizonte, MG, Brazil - ensaísta e escritor, doutor em literatura portuguesa pela UFRJ. livros publicados: violeta trindade, o lobo do cerrado, portugal poetas do fim do milênio, outono atordoado, mosaico insólito.)
Teus poemas são música na maré de literatura. São uma conversa que a gente nunca quer abandonar.
(Angel Cabeza - Poeta)
Reynaldo Bessa impressiona diante da linguagem material de sua fonética, pai/ países, vidas vivi, mortes morri. Pressiona quando é autofágico, como se eu fosse muitos, minha mãe várias, meu pai todos, o poeta devora a sua própria vida em busca da poiesis, devora a sua própria música para inventar outros barulhos. (Wilmar Silva - Poeta/Curador do projeto Terças poéticas - BH)
A poesia de Bessa é arrebatadora exatamente por isso, porque é de uma sinceridade comovente, à espreita da vidinha, aquela que está ao alcance de qualquer um que a olhe com os canais do estranhamento ligados pela intimidade com o arrepio do existir falar de Outros Barulhos não é difícil pelo seu imediato reconhecimento no contexto literário.Beatriz Bajo - Poeta, revisora, tradutora, professora de língua portuguesa e literatura, especialista em Literatura Brasileira (UERJ)
Bessa explora com êxito a ironia sádica. Construção provocadora em situações imprevisíveis; reality show da linguagem: os barulhos incomodam com prazer porque significam. Há também um poetar que remete à incerteza de tudo na pós-modernidade, carregada de tom confessional, erotismo e trabalho de linguagem bem urdida em nível concreto. (Márcio Almeida - Poeta)
“Reynaldo Bessa concorreu com os maiores da nossa poesia até chegar ao Prêmio Jabuti, e saiu na frente... melhor não citar nomes. É fácil entender a razão (justa) do reconhecimento: um texto emocionante, aparentemente despretensioso, mas pungente, numa autobiografia reinventada, entre surreal e cruelmente realista. Linguagem contemporânea, sem rebuscamentos retóricos, sem apelar para os coloquialismos banais e os barroquismos excessivos de outros autores que locupletam blogues e revistas literárias. Barulho é o que não falta na obra do jovem potiguar. Se não bastassem os versos criativos e definitivos, é compositor e exibe uma voz emocionante, com aqueles desdobramentos sonoros que apenas os nordestinos trazem em sua musicalidade.” (Antonio Miranda - Poeta, escritor, dramaturgo e escultor - Membro da Academia de Letras do Distrito Federal - Diretor da Biblioteca Nacional de Brasilia)
Ao voltar à infância, o poeta usa de lembranças para visualizar imagens poéticas surpreendentes, quando diz: “o silêncio/do meu irmão/doía mais/que as pancadas/do meu pai”. Mostra-nos que para ser moderno não é necessário perder o lirismo, como nestes curtos versos: “os vestidos escondem/mais segredos do que o mar”. e critica nossa condição humana em versos criativos, que diz: “os macacos/desceram das árvores/aí nasceu o trabalho,/a infidelidade, o divórcio e/o apartamento de um dormitório” . Outros Barulhos é um dos melhores livros de poesia que li nestes últimos anos. (Rogério Salgado-Poeta/Jornalista)
Os poemas de "Outros Barulhos" denunciam um pai, uma mãe, uma infância, uma adolescência superficiais. Mas, mesmo nessa vidinha besta, há alumbramentos, sustos luminosos. Há beleza na banalidade. E é o movimento dialético - a verdade no falso - que faz desse eu lírico ruidoso uma instância chamada "mal-estar" (Nelson de Olivieira - Escritor e Mestre em Letras pela USP. APCA 2001 e 2003 – Para o Guia da Folha de São Paulo)
"Outros Barulhos" É uma fartura de vida, um armazém de fiados, armário de brinquedos extintos, que todo leitor vai se exuberar. É uma obra da saudade. A saudade alegra, inclusive, os dias em que cortamos os dedos. Bessa é poeta. Pela intuição maravilhosa. Pelas comparações novas. Pelo tempo de descrever, e, acima de tudo, de se calar na hora certa. A poesia quando narração é imbatível. A poesia como contadora de histórias é imbatível. (Fabrício Carpinejar poeta e jornalista, mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS.)
Aliado ao formato narrativo, revela-se o corte ágil, o ritmo veloz, caudatário das mídias eletrônicas. Dessa forma, alguns poemas reduzem-se a uma única frase sintética, detonadora de forte carga sugestiva: “o poeta escreve torto/ por linhas certas” (p.70); “hoje sonetos/ amanhã só netos” (p.62); “espinhas, pêlos, incógnitas, incógnitas e ejaculações” (p.29); “seus olhos/ são meu livro de cabeceira” (p.107). A agilidade e a explosão do mundo do rock são fatores determinantes da percepção alucinada das coisas, e mesmo de alguma imagem deformada ou fora de foco. (Edgard Reis - Belo Horizonte, MG, Brazil - ensaísta e escritor, doutor em literatura portuguesa pela UFRJ. livros publicados: violeta trindade, o lobo do cerrado, portugal poetas do fim do milênio, outono atordoado, mosaico insólito.)
Teus poemas são música na maré de literatura. São uma conversa que a gente nunca quer abandonar.
(Angel Cabeza - Poeta)
Reynaldo Bessa impressiona diante da linguagem material de sua fonética, pai/ países, vidas vivi, mortes morri. Pressiona quando é autofágico, como se eu fosse muitos, minha mãe várias, meu pai todos, o poeta devora a sua própria vida em busca da poiesis, devora a sua própria música para inventar outros barulhos. (Wilmar Silva - Poeta/Curador do projeto Terças poéticas - BH)
A poesia de Bessa é arrebatadora exatamente por isso, porque é de uma sinceridade comovente, à espreita da vidinha, aquela que está ao alcance de qualquer um que a olhe com os canais do estranhamento ligados pela intimidade com o arrepio do existir falar de Outros Barulhos não é difícil pelo seu imediato reconhecimento no contexto literário.Beatriz Bajo - Poeta, revisora, tradutora, professora de língua portuguesa e literatura, especialista em Literatura Brasileira (UERJ)
Bessa explora com êxito a ironia sádica. Construção provocadora em situações imprevisíveis; reality show da linguagem: os barulhos incomodam com prazer porque significam. Há também um poetar que remete à incerteza de tudo na pós-modernidade, carregada de tom confessional, erotismo e trabalho de linguagem bem urdida em nível concreto. (Márcio Almeida - Poeta)
“Reynaldo Bessa concorreu com os maiores da nossa poesia até chegar ao Prêmio Jabuti, e saiu na frente... melhor não citar nomes. É fácil entender a razão (justa) do reconhecimento: um texto emocionante, aparentemente despretensioso, mas pungente, numa autobiografia reinventada, entre surreal e cruelmente realista. Linguagem contemporânea, sem rebuscamentos retóricos, sem apelar para os coloquialismos banais e os barroquismos excessivos de outros autores que locupletam blogues e revistas literárias. Barulho é o que não falta na obra do jovem potiguar. Se não bastassem os versos criativos e definitivos, é compositor e exibe uma voz emocionante, com aqueles desdobramentos sonoros que apenas os nordestinos trazem em sua musicalidade.” (Antonio Miranda - Poeta, escritor, dramaturgo e escultor - Membro da Academia de Letras do Distrito Federal - Diretor da Biblioteca Nacional de Brasilia)
Ao voltar à infância, o poeta usa de lembranças para visualizar imagens poéticas surpreendentes, quando diz: “o silêncio/do meu irmão/doía mais/que as pancadas/do meu pai”. Mostra-nos que para ser moderno não é necessário perder o lirismo, como nestes curtos versos: “os vestidos escondem/mais segredos do que o mar”. e critica nossa condição humana em versos criativos, que diz: “os macacos/desceram das árvores/aí nasceu o trabalho,/a infidelidade, o divórcio e/o apartamento de um dormitório” . Outros Barulhos é um dos melhores livros de poesia que li nestes últimos anos. (Rogério Salgado-Poeta/Jornalista)
Destacam-se os Poemas de lembranças, tematizando a infância, a família, pleno de versos imagéticos e narrativos, quase prosa em verso, onde as lembranças resguardam as presenças dos familiares, nos momentos plenos de cargas emotivas, numa série de lembranças, as mais remotas, onde o eu-de-agora se vê sobrecarregado pelas emoções do eu-de-ontem. Essa relação dos vários Eu dentro do Poeta é problematizada em “a cada manhã / já não sou mais o de ontem / um dos meus tantos se foi tragado / pelas malhas dos sonhos” (p. 68), trecho do belo poema, onde o tom lírico se funde ao filosófico, quando a mente se prende nas teias do tempo, / estou sempre aonde não vou nunca estou onde estou o passado é uma grande mala sem alça que teimo em carregá-la e o futuro é alguém que sempre parte quando acabo de chegar / (p. 52) Mas este desconforto com o passado enquanto fardo é aliviado num poeminha lúdico, “eu sou o que lembro / ou o que esqueci?” (p.39), uma pergunta que certamente deve ter empolgado Marcel Proust e Pedro Nava, dois memoralistas, um francês, o outro mineiro, às voltas com os percalços do lembrar-e-esquecer. (Leonardo de magalhaens - Poeta)
Já faz tempo que não conheço nada como a poesia de Bessa.
(Leandro Custódio - Poeta)
Reynaldo Bessa, além de ser compositor, cantor e músico, tendo uma carreira consolidada na música popular brasileira, principalmente na música independente, com seu primeiro livro de poesia “Outros Barulhos”, revela o poeta que se “escondia” nas letras de suas canções.
No livro, poemas de vivências, de acontecimentos, de visões passadas e futuras, de encontros e desencontros, de despedidas e fusões, de vida e morte, de cotidiano, metrópoles e interioridades, surpresas e achados físicos e metafísicos, enfim...”Outros Barulhos” revela o poeta que Reynaldo Bessa sempre foi.
(Madan - Compositor - São Paulo - SP)
Barulhos de Outros Barulhos
lá vem um moleque em seus tênis voadores
parecem maiores do que ele
parecem novos
ele fala com todos
acena pra um, pra outro e
depois olha pra baixo conferindo seus brinquedos
sorri como se acabasse de descobrir o mundo.
parece aconchegante, ali, dentro daqueles sapatos engraçados
sua vida agora vale a pena
lá vem um moleque descalço
aponta uma arma para o moleque que acabou de descobrir o mundo
este rapidamente se agacha e segura as pontas dos tênis
parece um nadador prestes a pular na piscina
seu rosto se contorce
grita alguma coisa pro moleque da arma
continua segurando as pontas dos tênis
se esquece de si mesmo
leva um tiro no olho
cai agarrado aos tênis
o outro moleque, com pressa, desamarra os cadarços
parece um corvo arrancando os olhos de um cadáver
ata-os e joga-os sobre as costas reluzentes
desaparece como apareceu, do nada
some na grande avenida
o moleque sangra na calçada
vai morrendo
chora, se contorce, grita;
meus tênis, meus tênis
sua vida agora não parece mais valer a pena
há frio em seus pés...
Versão em inglês:
there goes a kid in his flying tennis shoes
look like bigger than him
look new
he talks to everyone
waves to one and another and
then look down checking his toys
he smiles as if he had just discovered the world.
there looks cozy inside those funny shoes
now his life is worth of living
there goes a barefoot kid
pointing a gun to the kid who discovered the world
he bends on his knees and hold the tennis’ tips
looks like a swimmer about to jump into the pool
his face twists
screams something to the gun kid
keeps holding the tips
forgetting about himself
got shot in the eye
falls down holding the tennis shoes
he seems to be a crow pulling the eyes of a dead man
ties them, arrange them in his shining back
vanishes as appeared – from nowhere
disappears through the large avenue
as the kid bleeds on the sidewalk
losing his life
cries, twists, screams,
my shoes, my shoes
his life seems not valuable anymore
there’s cold upon his feet
*Poema do meu livro "Outros Barulhos" publicado no jornal Vaia do Rio Grande do Sul e que também foi escolhido pelo poeta Glauco Mattoso para uma antologia americana.
parecem maiores do que ele
parecem novos
ele fala com todos
acena pra um, pra outro e
depois olha pra baixo conferindo seus brinquedos
sorri como se acabasse de descobrir o mundo.
parece aconchegante, ali, dentro daqueles sapatos engraçados
sua vida agora vale a pena
lá vem um moleque descalço
aponta uma arma para o moleque que acabou de descobrir o mundo
este rapidamente se agacha e segura as pontas dos tênis
parece um nadador prestes a pular na piscina
seu rosto se contorce
grita alguma coisa pro moleque da arma
continua segurando as pontas dos tênis
se esquece de si mesmo
leva um tiro no olho
cai agarrado aos tênis
o outro moleque, com pressa, desamarra os cadarços
parece um corvo arrancando os olhos de um cadáver
ata-os e joga-os sobre as costas reluzentes
desaparece como apareceu, do nada
some na grande avenida
o moleque sangra na calçada
vai morrendo
chora, se contorce, grita;
meus tênis, meus tênis
sua vida agora não parece mais valer a pena
há frio em seus pés...
Versão em inglês:
there goes a kid in his flying tennis shoes
look like bigger than him
look new
he talks to everyone
waves to one and another and
then look down checking his toys
he smiles as if he had just discovered the world.
there looks cozy inside those funny shoes
now his life is worth of living
there goes a barefoot kid
pointing a gun to the kid who discovered the world
he bends on his knees and hold the tennis’ tips
looks like a swimmer about to jump into the pool
his face twists
screams something to the gun kid
keeps holding the tips
forgetting about himself
got shot in the eye
falls down holding the tennis shoes
he seems to be a crow pulling the eyes of a dead man
ties them, arrange them in his shining back
vanishes as appeared – from nowhere
disappears through the large avenue
as the kid bleeds on the sidewalk
losing his life
cries, twists, screams,
my shoes, my shoes
his life seems not valuable anymore
there’s cold upon his feet
*Poema do meu livro "Outros Barulhos" publicado no jornal Vaia do Rio Grande do Sul e que também foi escolhido pelo poeta Glauco Mattoso para uma antologia americana.
sexta-feira, 4 de março de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Outros Barulhos by Leandro Custódio
Art com vontade e representação.
http://leandrocustodiopoeta.blogspot.com/2011/01/os-barulhos-de-reynaldo-bessa.html
abçs.
http://leandrocustodiopoeta.blogspot.com/2011/01/os-barulhos-de-reynaldo-bessa.html
abçs.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Invenção da poesia
Seleta de "Outros Barulhos" pelo poeta José Inácio Vieira de Melo
http://invencaodapoesia.blogspot.com/2011/02/reynaldo-bessa.html
gosto desses carinhos literários.
http://invencaodapoesia.blogspot.com/2011/02/reynaldo-bessa.html
gosto desses carinhos literários.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Para a menina que sabe voar (a canção)
La vem ela
Entre flores e borboletas amarelas
Há tanto azul, há um mar tagarela
Nos olhos dela
Lá vem ela
Seu sorriso alegra toda minha tela
Ela é melodia, ela é aquarela
Quem é ela?
Karoline, Karoline, Karoline
Vem cá
Karoline. Karoline, Karoline
Vem cá
Acender meu riso
Com o brilho do seu olhar
É tão bela
Quem dera um beijo nem que fosse de novela
Quem dera ela fosse minha Cinderela
Ah! quem dera.
Karoline, Karoline, Karoline
Vem cá
Karoline. Karoline, Karoline
Vem cá
Acender meu riso
Com o brilho do seu olhar
Entre flores e borboletas amarelas
Há tanto azul, há um mar tagarela
Nos olhos dela
Lá vem ela
Seu sorriso alegra toda minha tela
Ela é melodia, ela é aquarela
Quem é ela?
Karoline, Karoline, Karoline
Vem cá
Karoline. Karoline, Karoline
Vem cá
Acender meu riso
Com o brilho do seu olhar
É tão bela
Quem dera um beijo nem que fosse de novela
Quem dera ela fosse minha Cinderela
Ah! quem dera.
Karoline, Karoline, Karoline
Vem cá
Karoline. Karoline, Karoline
Vem cá
Acender meu riso
Com o brilho do seu olhar
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Publicado
O texto abaixo foi publicado em um dos mais importantes jornais de Mossoró: o jornal De Fato.
Veja o link
http://www.defato.com/01_02_2011/total.php
boa leitura
Veja o link
http://www.defato.com/01_02_2011/total.php
boa leitura
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