Espertos

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

eu estava fora da vida
olhava-a de longe feito Moisés contemplando a terra proibida pra ele
eu era um menino olhando um brinquedo e já sabendo que não poderia mais brincar com ele
via tudo e todos que um dia foram meus, e
a cada dia a vida ia-se.
até que ficou da distancia de um braço.
e eu olhava-a, agora ela parecia um quadro na parede.
e cada vez mais longe.
mas eu ainda podia sentir as pinceladas na ponta dos meus dedos, mas continuava indo...
e eu me perguntei - mesmo sabendo que não havia mais ninguém para me escutar - é isso morrer? Na verdade, quem está indo? pararemos um dia de fazer estas perguntas?
até que um dia ouvi apenas o raspar da minha unha na tela e um farelo da existência caiu sobre o assoalho.
e depois... depois, mais nada.


(Reynaldo Bessa)

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