Espertos

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Se mantivermos essa força, juntos. Se conseguirmos pelo menos, em muitos anos, substituí-la por algo, assim como a fuligem grudenta depois que toda a fumaça se esvai pela chaminé, acho que algo de nós sobreviverá. Tá, talvez não tenha o mesmo valor que nós damos a ela. É, a natureza é pródiga, uma gastona, sim. Nesse exato momento joga milhões de ovas no vazio. E será que os que não sobrevivem têm menos valor que os que sobrevivem? Bom, falo de nós. Por que, todas às vezes, em que tentamos conversar temos sempre que colocar a filosofia, essa mulher de língua torta, no meio? Podemos simplesmente conversar? Então, se mantivermos essa força, juntos, seremos algo além de nós. Não sei explicar isso, apenas sinto. Como eu poderia explicar o que ainda não nasceu? Você pode sentir que vai chover: o cheiro do vento, o olhar de esguelha das árvores, a energia, a pressa das pessoas, mas daí a falar de como vai ser a chuva é outra história, não? E você, não diz nada?

(Reynaldo Bessa)

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