Na adega, ouvindo Coldplay e com o coração feito um pássaro sob a
chuva. Percebo que as figurinhas que colávamos com arroz cozido começam,
enfim, a descolar do álbum. E eu olho a rua como quem penteia a
trisfeza. E olho a lua feito uma grande lágrima amarela no rosto
enferrujado do tempo. E penso, e nisso entra outra música do cold e meu
coração encolhe-se feito um vira-lata logo após um pontapé. Repito
diversas vezes seu nome como se quisesse mudar os trilhos desse destino
de fumaça. O nome do dono, numa sala fria, traz o peito aberto para um
legista sonolento e mal remunerado.
(Reynaldo Bessa)
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