Espertos

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Na adega, ouvindo Coldplay e com o coração feito um pássaro sob a chuva. Percebo que as figurinhas que colávamos com arroz cozido começam, enfim, a descolar do álbum. E eu olho a rua como quem penteia a trisfeza. E olho a lua feito uma grande lágrima amarela no rosto enferrujado do tempo. E penso, e nisso entra outra música do cold e meu coração encolhe-se feito um vira-lata logo após um pontapé. Repito diversas vezes seu nome como se quisesse mudar os trilhos desse destino de fumaça. O nome do dono, numa sala fria, traz o peito aberto para um legista sonolento e mal remunerado.

(Reynaldo Bessa)

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